Tarifas bancárias variam até 512%
Procon recomenda aos consumidores que se habituem a pesquisar quanto custa abrir e manter uma conta no banco
Carmem Murara
Albari RosaCerco fechadoAs caixas de auto-atendimento não livram os clientes de pagar as tarifas: variação de preço no extrato mensal chega a 212%Assim como virou costume pesquisar preços na hora de fazer as compras do mês em um supermercado ou correr de loja em loja para saber onde sai mais barato comprar uma peça de roupa ou um calçado, os consumidores têm de se habituar a pesquisar bem quanto custa abrir e manter uma conta bancária. Os bancos cobram tarifas com valores diferenciados, que podem resultar numa variação de até 512,5% entre um banco e outro em alguns serviços oferecidos. A diferença nos preços foi levantada pelos pesquisadores da Coordenadoria Estadual de Defesa do Consumidor (Procon).
Durante duas semanas, na segunda quinzena de abril, os funcionários do Procon percorreram os principais bancos de Curitiba para saber qual oferecia as mais baixas tarifas aos clientes. O trabalho foi feito em 12 bancos (Banespa, Banestado, Banrisul, Banco do Brasil, Bemge, Besc, Caixa Econômica Federal, Excel, Itaú, Meridional, Real e Unibanco).
Entre os instituições financeiras, o Real apresentou o maior número de tarifas com maior preço. Dos 15 serviços, onde a tarifa é cobrada, seis estavam com preço superior aos dos demais bancos. Já os bancos Banrisul e Caixa Econômica Federal apresentaram o maior número de itens com menor preço. Das 14 e 16 tarifas encontradas, respectivamente, quatro estavam com preço inferior aos demais bancos.
A maior variação foi constatada na renovação do cheque especial para pessoa física. A menor tarifa foi encontrada no Banco do Estado de Minas Gerais (Benge), que cobra R$ 4,00. A mais cara tarifa foi no Excel, que cobra R$ 24,50 para renovar o cheque especial de seus clientes.
Mas não é só entre esses dois bancos que as diferenças apareceram. Enquanto o Meridional cobra R$ 20,00 para fazer um cadastro de pessoa física, a Caixa Econômica Federal desconta R$ 7,30 da clientela. Um cheque devolvido pode custar R$ 9,45 no Banco Real e R$ 4,56 no Itaú.
Outras tarifas que apresentaram grande variação de preço entre um banco e outro foram as do desbloqueio de talão de cheque (452%), extrato mensal via fax ou correio (400%), manutenção de conta corrente inativa (400%), cartão magnético (218%) e extrato mensal em terminal eletrônico (212%).
A pesquisa apontou ainda as menores variações, que foram verificadas no cadastro de inadimplentes do Banco Central, com uma diferença de 67% entre os bancos. A tarifa de cheques devolvidos por sustação varia em 39% e por talão de cheque com 20 folhas a variação é de 27,7%.
Além das tarifas cobradas no dia a dia, os clientes têm que se preocupar com as taxas de juros do cheque especial. Os bancos continuam a cobrar taxas muito mais altas do que a inflação. Os índices variam de 8,5% na Caixa Econômica Federal até 12,9% no Banco Excel. A maioria dos bancos pesquisados ficou com um juro no cheque especial de 9%. A pesquisa do Procon mostra que entre os bancos a diferença no juro do cheque especial pode chegar a 51,7%. A pesquisa do Procon nos bancos tem uma validade de três meses, podendo ser aplicada até o final de julho.

mockup