Tarifa sobe, eleva IPC e ajuda a inibir o consumo
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quinta-feira, 12 de junho de 1997
Agência Estado São Paulo 
O consumidor paulistano está gastando bem mais com telefone e luz, que já começaram a pressionar o índice de inflação desde o início do mês. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe), ficou em 0,82% na primeira quadrissemana de junho, período de 30 dias terminado no dia 8 em comparação com os 30 dias anteriores. Só as tarifas de telefone, luz e ônibus contribuíram com 0,61%. A inflação em maio havia sido de 0,55%.
A aceleração do índice na primeira quadrissemana de junho foi maior do que previa o coordenador da pesquisa, Heron do Carmo. Por isso, sua expectativa é que a inflação no mês fique um pouco acima de 1%, previsto inicialmente. Acho que pode chegar a 1,1%, calculou. Aumento significativo das despesas com transportes, nas próximas semanas, segundo ele, vai contribuir para isso. A maior alta foi dos gastos com habitação, que aumentaram 2,32%.
Sua expectativa, no entanto, ainda é a de que a inflação ficará pouco abaixo da de junho do ano passado. Além disso, previu, a partir do próximo mês a tendência é de queda da inflação. Nos últimos cinco meses do ano provavelmente a taxa ficará muito próxima de zero, afirmou. Apesar da alta de junho, o economista mantém sua previsão de inflação anual entre 6% e 7% em 97.
O aumento das contas de água, luz, telefone e das passagens de ônibus praticamente ao mesmo tempo é conveniente para o governo, na opinião do economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe). Tarifas mais caras, segundo ele, apertam ainda mais o orçamento do consumidor e podem ajudar a inibir o consumo. A intenção não era essa, é claro, mas o efeito é positivo nesse sentido, afirmou.
Para Carmo, o aumento das despesas com tarifas deverá ser equivalente ao valor de uma prestação qualquer. Se somar o que uma família vai gastar a mais com água, luz e telefone, deve dar uns R$ 30,00, que poderiam ser usados para pagar uma prestação, compara o economista. Por isso, a concentração de tarifas, na sua opinião, além de ajudar a reduzir o déficit público, serve para segurar a demanda.
Ele lembrou que os trabalhadores estão praticamente sem correção de salários e qualquer aumento de despesas compromete o orçamento dos consumidores. Além disso, oscilações mensais da inflação, embora os índices sejam muito baixos se comparados com o período anterior ao real, acabam dificultando o planejamento dos gastos da família.


