Tarifa pública pressiona o custo de vida em julho
Vânia Casado
De Curitiba
A inflação e o custo de vida tiveram um salto no mês de julho, resultado do tarifaço promovido pelo governo federal nos preços públicos. O Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) registrou aumento de 1,07% no índice do custo de vida, uma elevação de 0,72% sobre o índice apurado em junho na cidade de Curitiba. E o Dieese (Departamento Intersindical de Economia e Estatística), apurou queda no preço da cesta básica de 3,57% em julho, apesar de a inflação acumular uma alta de 5,48% no período janeiro a julho.
Os dois órgãos salientaram que a queda nos preços dos alimentos não foram suficientes para minimizar o impacto do aumento nos preços das tarifas públicas. Segundo Arion Cesar Foerster, do Ipardes, enquanto a iniciativa privada está dando sua contribuição para estabilidade da inflação, o governo federal está na contra-mão, permitindo a alta nos preços da tarifa acima do índice da inflação. O coordenador do Dieese, Cid Cordeiro afirmou que o limite no reajuste dos preços públicos, só virá quando o governo fizer o ajuste de suas contas. Enquanto isso, o governo vai continuar recorrendo ao bolso do consumidor para gerar superávits primários em suas contas para atender o acordo com o FMI, explicou.
No custo de vida apurado pelo Ipardes, as maiores altas de julho foram verificadas nos preços da gasolina, que aumentaram 15,91% e do álcool, com 17,92% de aumento. Só esses reajustes contribuiram com aumento de 0,56% no índice do mês. Também a energia elétrica pressionou o índice, com elevação de 6,18% e do telefone residencial, que aumentou 12,39%. Já os preços de alimentos e bebidas recuaram 0,07% e do vestuário, 0,084%. O índice acumulado no ano é de 5,99% e a tendência de alta deve se repetir em agosto, com o anúncio de novo reajuste nos combustíveis.
O Dieese, que apura a variação mensal no preço da cesta básica verificou que a cesta básica teve um custo de R$ 97,16 em julho, com um custo diário de R$ 3,24 para o trabalhador residente em Curitiba. No mês passado, a cesta custou R$ 100,76. Os preços dos alimentos que apresentam oferta abundante como como batata, feijão e açúcar, apresentaram queda de preço. Enquanto produtos como tomate, manteiga, banana e farinha de trigo tiveram variação positiva.
Mesmo com a queda no custo da cesta básica, o trabalhador teve uma queda de renda de 4,5% entre janeiro a julho. Nesse período, a cesta básica teve variação de 1%, os alimentos de forma geral subiram 2,3% e o vestuário caiu 1,5%. Não fosse a inflação promovida pelo governo, a inflação dos sete meses estaria entre 1% e 2%, apenas, salientou Cordeiro. Ele destacou que o consumidor que poderia usufruir do benefício com a queda no preços dos alimentos, não consegue pagar as tarifas públicas administradas pelo governo. Como são bens de primeira necessidade, dificilmente podem ser substituídos ou ter o consumo reduzido, justificou.
Segundo Cordeiro, o quadro recessivo impede que o impacto do tarifaço contamine os demais preços da economia. Mas se os reajustes mensais nos preços administrados pelo governo permanecerem, será inevitável o reflexo sobre a inflação, afirmou.





