Enquanto o usuário da BR-101, no Espírito Santo, paga R$ 5,43 de pedágio a cada trecho de 100 quilômetros rodados, quem trafega pela BR-369, no Norte do Paraná, desembolsa
R$ 13,15 numa distância idêntica, ou seja, 142% a mais. O motorista que costuma usar a estrada capixaba tem outra vantagem: sabe que todos os 475 quilômetros concedidos em 2013 pela União à concessionária ECO101 estarão duplicados até 2023. Na 369, entregue para a Econorte em 1997 pelo governo do Paraná, isso não vai acontecer. Nessa via, até o final do contrato, em 2021, só deve ser duplicado um trecho de 31 quilômetros, entre Jataizinho e Cornélio Procópio. Cerca de 88 quilômetros, até a divisa com São Paulo, ficarão em pista simples mesmo.
Outro bom exemplo é o da VIA 40. No ano passado, a concessionária assumiu um trecho de 936 quilômetros da BR-040, de Brasília a Juiz de Fora (MG). Segundo a assessoria da empresa, só 18% da extensão estava duplicada, 22% era de multifaixas (duas pista de cada lado sem divisão no meio). E 59% era de pistas simples. A concessionária já duplicou 58,6 quilômetros e tem de entregar toda a rodovia duplicada em 10 anos. Apesar disso, o valor do pedágio é de R$ 4,42 por 100 quilômetros, ou 66% menor que o da BR-369.
São disparidades desse tipo que fazem entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) rejeitarem a proposta de renovação dos atuais contratos de pedágio no Estado. Seus dirigentes acreditam que, por melhor que seja a negociação, ela não vai resultar em valores razoáveis para o usuário. Então, é melhor deixar vencer os contratos e realizar novo processo de concessão.
Quando o governador Jaime Lerner privatizou o Anel de Integração, no final da década de 1990, o País ainda tinha pouca experiência nesta área. Havia uma ou outra via federal pedagiada e o modelo paulista também estava em seu início. Além disso, a economia brasileira estava num momento bem diferente. A taxa básica de juros (Selic) em 1997 variou de 20,78% a 43,3%. Já, no momento da privatização da BR-101, em 2013, não chegava a 10%. Isso é parte da explicação para as diferenças tão expressivas entre as tarifas. Com juros mais altos, as concessionárias precisavam de uma Taxa de Retorno Interno (TIR) também mais alto.
A média das tarifas das concessões realizadas pela União desde 2013 é de
R$ 4,59 por 100 quilômetros, segundo cálculo feito pela reportagem a partir de valores obtidos no site da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Já, a do Paraná, é mais que o dobro: R$ 11,07. Se consideradas todas as concessões federais (desde 1995), a média sobe para R$ 5,71.
É comum as pessoas repetirem que o pedágio no Paraná é o mais caro do País. Não é verdade. A média das concessões paulistas é de R$ 13,84, 25% mais cara. Mas a qualidade das estradas também é muito superior.
Para calcular as médias, a reportagem excluiu oito trechos em todo o País, com menos de 100 quilômetros. E também não considerou as rodovias gaúchas, que foram retomadas pelo governo do Estado. A estatal Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) pratica tarifas mais baixas que as da iniciativa privada. (N.B.)

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