Tarifa do transporte metropolitano pode passar de R$ 6,50
Agepar autorizou reajuste de 5,14% para o transporte metropolitano e 5,38% para o transporte rodoviário; preço deve subir na segunda-feira (15)
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quinta-feira, 11 de junho de 2026
Agepar autorizou reajuste de 5,14% para o transporte metropolitano e 5,38% para o transporte rodoviário; preço deve subir na segunda-feira (15)

Os valores das passagens dos ônibus metropolitanos e do transporte rodoviário de longa distância do interior do Paraná serão reajustados. A Agepar (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná), por meio de seu Conselho Diretor, decidiu pelo aumento, fixado em 5,14% para o transporte metropolitano e 5,38% para o de longa distância. Os reajustes entrarão em vigor a partir da publicação da resolução da Agepar no Diário Oficial do Estado, o que deve acontecer nesta sexta-feira (12).
A partir da oficialização do documento, o DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná), responsável pela gestão dos serviços, poderá atualizar as tabelas de valores. A expectativa é que até a próxima segunda-feira (15) as altas comecem a valer.
Segundo informou a Agepar, os índices foram obtidos com base em metodologia elaborada pela própria agência, aprovada pelo seu Conselho Diretor e aplicada para cálculo do reajuste anual dos serviços. O reajuste nos valores das tarifas levou em conta também a recente variação do preço do diesel.
As empresas não comentaram a alta das tarifas. Por meio de suas assessorias de imprensa, disseram apenas que aguardam a atualização dos preços pelo DER-PR.
Na TIL/TCR, empresa que opera linhas entre Londrina, Ibiporã e Cambé, o último reajuste foi aplicado em 15 de fevereiro deste ano, após autorização da Agepar. O percentual de 3,70% elevou o preço da tarifa de R$ 5,95 para R$ 6,20. Com o novo reajuste, de 5,14%, a empresa poderá aumentar a passagem para R$ 6,51.
Um usuário que paga a tarifa integral pelo transporte metropolitano de segunda a sexta-feira, ida e volta, em um mês irá desembolsar mais de R$ 260 em passagens. Esse valor corresponde a 16% do salário mínimo nacional.
Para as passagens de longa distância, a reportagem fez uma simulação dos novos valores para alguns destinos, sempre partindo de Londrina. Com base nos preços atuais praticados pela Viação Garcia, foi aplicado o reajuste máximo de 5,38%. Para Rolândia e Jataizinho, o aumento seria de R$ 6,55 para R$ 6,90; para Assaí, o preço da tarifa passaria de R$ 8,50 para R$ 8,95; para Bela Vista do Paraíso, saltaria de R$ 9,45 para R$ 9,95, e para Sertanópolis a tarifa sairia de R$ 9,75 para R$ 10,27.
A diarista Viviane Calixto mora em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), mas a grande maioria de seus clientes reside em Londrina. Para trabalhar, ela utiliza o transporte metropolitano entre quatro e cinco vezes na semana e o valor da passagem é cobrado à parte. Com o novo aumento, ela teme começar a perder clientes. “No ano passado, quando subiu, eu já perdi serviço. Parece pouco, R$ 0,30, mas ida e volta são R$ 0,60 e o dinheiro está curto para todo mundo. No final do mês, faz diferença”, disse.
Calixto está satisfeita com a qualidade do serviço de transporte metropolitano, e avalia que R$ 6,20 é um preço justo. “Os ônibus são bons, não costumam atrasar, eu vou e volto rapidinho. Mas o que é bem ruim é a falta de um terminal. A gente fica na rua, na Leste-Oeste, embaixo de sol e de chuva. É péssimo. Acho que só deveriam aumentar a passagem quando melhorassem essa estrutura.”
O vigilante Jorge Dal Corso, utiliza o transporte metropolitano eventualmente. “Geralmente, uso moto como meio de transporte, mas de vez em quando tenho que ir de ônibus. Quando chove, por exemplo, uso o transporte público. Eu acho que Londrina não comporta uma tarifa de R$ 6,50. Quase R$ 7 é muito caro. O serviço até que é bom, mas não justifica esse preço.”
Alta acumulada desde abril de 2025 deve superar inflação do período
Em abril de 2025, as tarifas do transporte metropolitano subiram de R$ 5,60 para R$ 5,95, alta de 6,25%, e para o transporte intermunicipal o percentual foi fixado em 6,53%, elevando em até cerca de R$ 0,60 o preço das passagens para alguns destinos na região de Londrina.
Apesar de os reajustes serem anuais, em fevereiro de 2026 as tarifas voltaram a subir de preço em razão de uma recomposição tarifária aplicada por meio da Resolução nº 17/2026, da Agepar, que tratou do reequilíbrio e é resultante da reoneração da folha de pagamento decorrente da Lei Federal 14.973/2024.
Por essa recomposição, as tarifas do transporte metropolitano tiveram acréscimo de 2,93%, passando para R$ 6,20, e nos trechos rodoviários, o aumento permitido foi de 3,70%. O trecho entre Londrina e Sertanópolis, por exemplo, subiu quase R$ 0,40 e passou a custar R$ 9,75.
Se o reajuste de junho for calculado pelo percentual máximo permitido pela agência reguladora e o preço da passagem do transporte metropolitano chegar a R$ 6,51, o serviço passará a custar 9,41% a mais do que era cobrado em abril do ano passado - alta superior à inflação do período, que ficou em torno de 4%. No transporte rodoviário de longa distância, o trecho entre Londrina e Sertanópolis poderá chegar a R$ 10,27.
A Agepar explicou que a partir da lei federal de 2024, houve um impacto nos custos das prestadoras do serviço e que, em atendimento à Lei Complementar 76/95, do Paraná, que dispõe sobre concessões e permissões de serviços públicos, foi preciso rever os valores das tarifas. “Trata-se de uma revisão que a Agepar foi obrigada a atender em função das citadas leis”, disse a agência reguladora por meio de sua assessoria de imprensa.(S.S.)


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


