Curitiba - O aumento do transporte coletivo de Curitiba foi o grande vilão das tarifas públicas no mês de abril e também da inflação registrada na cidade. A variação das tarifas foi de 1,96% em abril, e já atinge 4,64% nos primeiros quatro meses do ano. Por causa do aumento das tarifas de ônibus, que subiu de R$ 1,70 para R$ 1,90, Curitiba registrou a maior alta de inflação do País em abril, apontou levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge).
De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) que mede a inflação, Curitiba teve alta de 1,07% enquanto na média das capitais brasileiras a inflação foi de 0,41%. O aumento da tarifa de ônibus na cidade começou a vigorar no dia 9 de março, mas provocou impacto de 8,63% no índice inflacionário de abril. Conforme cálculos do economista do Dieese, Sandro Silva, o reajuste do ônibus ainda vai refletir na inflação de maio.
Não fosse o aumento do transporte urbano, Curitiba iria registrar deflação considerando o comportamento do preço dos alimentos. Só o aumento dos ônibus, cujo impacto foi de 8,63% na variação das tarifas públicas em abril, foi responsável por 90% da inflação na capital do Paraná.
Os combustíveis também pressionaram as tarifas públicas no mês de abril. A gasolina teve alta de 0,11 e o álcool, de 2,41%. O preço do álcool vinha apresentando defasagem de 35,78% nos últimos 12 meses. O economista do Dieese, Cid Cordeiro, acredita que essa situação começa a se reverter em função do final da safra e dos estoques de álcool.
Para o mês de maio, a expectativa do comportamento dos preços monitorados fica por conta do aumento da gasolina, que já tem um impacto de 2,12% na primeira semana de maio, e da energia elétrica. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já colocou em consulta pública o reajuste de 8,71% para a energia fornecida no Paraná. Esse índice ainda depende de aprovação da Aneel e depois do governo do Estado.
Apesar do aumento nas tarifas dos ônibus de Curitiba, a média na variação das tarifas públicas pela primeira vez estão um pouco abaixo da inflação, ao contrário do que ocorria antes quando os índices dos preços administrados ficavam acima da inflação. Mas ainda assim, o comportamento dos preços monitorados estão acima da variação de renda dos consumidores, admitiu Cordeiro. A preocupação é com o comportamento do dólar daqui para frente que pode refletir negativamente e provocar nova alta no preço das tarifas públicas.

mockup