Tarifa de energia pode subir com operação da UEG
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sexta-feira, 28 de julho de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Com a entrada em operação da Usina Termelétrica a Gás de Araucária (UEG Araucária), localizada na Região Metropolitana de Curitiba, o custo de tarifa da Copel pode aumentar. Isso porque a energia de origem térmica é 40% mais cara que a gerada por hidrelétricas. ''Vamos sentir os resultados na conta'', disse o diretor da consultoria Enercons e ex-diretor da Copel, Ivo Pugnaloni.
Além disso, um dos maiores desafios para que a UEG entre em operação no início de setembro será fazer as adaptações necessárias para que a usina esteja apta a suportar instabilidades comuns ao sistema elétrico. Nesta questão e em outras melhorias serão aplicados R$ 11 milhões. Pugnaloni explicou que todas as térmicas têm que estar na frequência de 60 hertz. ''Com desvios ou não sincronismo com o sistema elétrico, a usina pode não conseguir entrar no sistema'', disse.
Hoje, a Copel inicia os primeiros testes para colocar a UEG em operação no início de setembro, a pedido do Operador Nacional do Sistema (ONS) em função dos problemas de estiagem e do baixo nível dos reservatórios. Atualmente, 65% da energia consumida pelo Sul é importada do Sudeste. A usina de Araucária que tem capacidade instalada de 484 MW vai ajudar no suprimento de energia.
A partir das 7 horas de hoje, começa a limpeza dos dutos da usina que trazem o gás natural para evitar que partículas depositadas na tubulação durante o período em que ficou inoperante (desde setembro de 2002) chegue até as máquinas causando dificuldade de operação ao equipamento.
Atualmente, a usina só pode operar com gás natural proveniente da Bolívia. A flexibilização das turbinas para uso de outros combustíveis como diesel, álcool e Hbio (no qual é usado óleo vegetal no refino do diesel) ainda está em estudos e não tem prazo para ficar pronta.
A usina nunca entrou em funcionamento porque haveria erros de projeto, incompatibilidades técnicas, falhas de segurança e desajustes. Um dos problemas era a incompatibilidade das turbinas com o gás natural que a Petrobras fornecia na época da inauguração. Para resolver isso, foi construída uma unidade de processamento de gás que consumiu R$ 40 milhões.
Neste ano, a Copel assumiu o controle acionário da usina ao comprar os 60% das ações da El Paso pelo valor de R$ 416 milhões. Com isso, a estatal detém hoje 80% das ações. Essa foi a saída que o governo do Estado encontrou para não ter que pagar US$ 827 milhões devidos a El Paso referentes a uma pendenga judicial que foi discutida na Câmara Arbitral de Paris.


