As tarifas de energia elétrica devem subir cerca de 30% em 2002, segundo estimativas feitas pelo Banco Central. Para este ano, o BC projeta um reajuste médio de 20%. Se as previsões se confirmarem, as tarifas terão aumentado 56% em apenas dois anos, período em que a inflação acumulada deve ficar em torno de 10%, segundo estimativas do mercado.
Até o início de novembro, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o reajuste médio acumulado pelas tarifas neste ano foi de 17,4%. Parte do aumento previsto para o ano que vem será autorizado pelo governo para compensar as distribuidoras pelas perdas causadas pelo racionamento de energia. Até o mês passado, o BC previa um reajuste de 20% em 2002.
As previsões constam da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), realizada na semana passada. Na ocasião, decidiu-se manter os juros básicos da economia em 19% ao ano até o mês que vem.
Para compensar o aumento nas tarifas de energia, o BC prevê uma redução de 4,9% no preço dos combustíveis em 2002. Segundo a instituição, essa redução será consequência da queda do preço do petróleo no mercado internacional.
O BC projeta um aumento de 5,8% para o conjunto de preços administrados (combustíveis, energia e telecomunicações) em 2002. Isso contribuiria para uma elevação de 1,8% no IPCA do ano que vem, sendo que a meta do governo é de 3,5% com margem de tolerância de dois pontos percentuais.
''Esses aumentos (das tarifas públicas)'' significam um importante choque de oferta para a economia em 2002'', afirma a ata da reunião do Copom.
A diretoria do BC tem insistido em sinalizar que vai fazer de tudo para cumprir a meta do ano que vem, mesmo que isso signifique manter os juros altos por mais tempo. O diretor de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, chegou a dizer que, no ano que vem, ''não tem desculpas'' para o descumprimento da meta.
Na ata da reunião realizada na semana passada, o Copom diz que a retomada do crescimento econômico contribui para colocar em risco o cumprimento das metas de inflação, o que justificaria a manutenção dos juros nos níveis atuais por mais tempo.
O BC projeta que, caso o dólar continue cotado na faixa entre R$ 2,50 e R$ 2,55, a manutenção dos juros básicos em 19% ao ano fará com que a inflação fique em torno de 4% em 2002.

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