Tarifa branca: migrar ou não migrar?
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

Desde o dia 1º de janeiro, consumidores de energia atendidos em baixa tensão que tenham consumo médio superior a 500 kWh já podem aderir à tarifa branca, que oferece uma tarifa mais barata no período das 22h às 17h (ou das 23h às 18h no horário de verão), chamado de "fora da ponta". O objetivo é desestimular o consumo no período de maior demanda, que é das 17h às 22h. Quem não aderiu à nova modalidade de tarifação branca paga uma tarifa única para qualquer período do dia. As condições para a aplicação da modalidade branca foram estabelecidas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Os interessados em aderir à tarifa branca devem solicitar a migração para a modalidade à sua distribuidora de energia. O pedido é necessário para que a companhia de energia possa fazer a troca do medidor, sem custos para o consumidor.
Por enquanto, apenas consumidores de baixa tensão com consumo médio acima dos 500 kWh podem optar pela nova modalidade de tarifação. Em 2019, a tarifa branca estará disponível também para estabelecimentos com consumo médio entre 250 e 500 kWh mensais, e a partir de 2020, para todas as ligações de baixa tensão, exceto para a iluminação pública e para a tarifa social.
Segundo Robledo Carazzai, professor do curso de Engenharia Elétrica da Faculdade Pitágoras, o uso mais intenso de energia elétrica nos horários de pico demanda investimentos maiores das distribuidoras de energia em suas redes. "No horário de pico, se houver um consumo elevado, a distribuidora vai ter que aumentar a capacidade da rede e gastar com infraestrutura e equipamentos. Se ela conseguir distribuir o consumo, a sua infraestrutura vai durar muito mais tempo."
Mas aderir à tarifa branca não significa, necessariamente, que o consumidor terá mais economia. Isso porque, dependendo do horário do dia em que ele utiliza energia em sua residência ou estabelecimento, a tarifa pode ficar mais cara. A nova tarifação compensa apenas se o consumo de energia for maior no período fora da ponta.

Análise
No período fora da ponta, a tarifa cai de R$ 0,44 por kWh(tarifa convencional) para R$ 0,37 kWh para consumidores residenciais, com uma redução de 15% (veja no quadro). Para estabelecimentos comerciais, a queda é de 14% (R$ 0,44 para R$ 0,38), e para consumidores das áreas rurais, a tarifa diminui 15% (R$ 0,30 para R$ 0,26 kWh). Os valores informados não incluem tributos.
Em compensação, a tarifa pode subir até 85% em relação à tarifa convencional para consumidores residenciais e de áreas rurais no horário de ponta (das 18h às 21h e das 19h às 22h no horário de verão). Para os estabelecimentos comerciais, a diferença pode ser ainda maior, de 95%, também no horário de ponta.
Por isso, especialistas na área recomendam ao consumidor fazer uma análise dos horários de maior consumo para decidir se vale a pena ou não migrar para a tarifa branca, pois caso o consumidor faça a migração e continue fazendo uso intenso de energia nos horários de pico, o valor da fatura pode ficar mais alto.
Consumidor pode mudar seus hábitos
Caso queira economizar, o consumidor pode também mudar seus hábitos de consumo de energia e aderir à tarifa branca, deixando para fazer tarefas como lavar roupas e tomar banho para o período fora da ponta. O que não é muito fácil, lembra Joice Santos, arquiteta especializada em iluminação da Reymaster Materiais Elétricos, de Curitiba, já que esse é o horário em que a maioria das pessoas está fora, trabalhando ou estudando. "Mas quem aderir vai conseguir economizar de 10% a 20%."
"Se o consumidor conseguir ser bem metódico e não tomar banho nos horários de pico, utilizando o chuveiro fora do horário de pico, vai ter redução na fatura", observa Robledo Carazzai, da Faculdade Pitágoras. "Mas considerando uma família, em que a maioria trabalha, chega às 18h no horário de pico e vai tomar banho, nesse caso pode acabar não compensando. Quem não conseguir adequar sua rotina, com certeza vai ter aumento."
Simulador
A Copel disponibiliza em seu site (www.copel.com/simulador) um simulador que pode auxiliar o consumidor a tomar a decisão. O simulador pede que o consumidor informe a potência, os dias da semana, o horário e o tempo de uso de cada eletrônico ou eletrodoméstico em todos os cômodos de sua casa. No final, apresenta um comparativo do valor que o consumidor pagaria na tarifa convencional e o valor que pagaria na tarifa branca.
Para saber se o consumidor já pode migrar para a tarifa branca, ou seja, tem consumo médio superior a 500 kWh, basta consultar o seu histórico de consumo na fatura de energia. Joice afirma que casas maiores, com muito consumo de ar condicionado, podem já fazer parte desse grupo.


