Tápias troca comando do BNDES por 'incompati- bilidade de estilos'
Agência Estado
De Brasília
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, anunciou ontem a substituição do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimeto Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, pelo ex-presidente do Banco Central e do BNDESPar Francisco Gros. Com a troca no comando do banco, o ministro fortaleceu-se no governo ao conseguir apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso para promover a mudança que queria. Ele atribuiu a sua decisão ao que chamou de incompatibiliade de estilos entre ele e o ex-presidente do BNDES.
A decisão, porém, não foi um ato isolado, Tápias vinculou a saída de Calabi a uma reestruturação que está promovendo no ministério, embora tenha garantido que não vai substituir outros líderes. Nenhuma peça da equipe muda, além do presidente do BNDES, afirmou.
Segundo Tápias, Calabi é mais expansivo, mais aberto a declarações à imprensa e a presidência de um banco exige um perfil um pouco mais baixo, mais discreto. Ele afirmou que sua exposição à imprensa é, em média, menor do que a de outros ministros. Eu sou mais operador, sou mais um homem de ação, o que me prende mais a gabinetes e contatos com minha equipe.
Quando não aprovo algo chamo a pessoa e digo o que está me desagradando e o que deve ser feito para mudar, disse. Dou duas oportunidades, na terceira eu demito, disse. O ministro também não quis deixar lacunas para interpretações de que a saída de Calabi estaria ligada a uma derrota do grupo nacionalista do governo, que quer limitar os financiamentos a empresas estrangeiras e ao qual Calabi faz parte. As empresas brasileiras sempre foram uma das bandeiras do BNDES e isso será mantido, afirmou.
De acordo com Tápias, a indicação do empresário Roberto Gianetti, no início da semana, para a Câmara de Comércio Exterior (Camex) é parte da reestruturação do Ministério, que tem como base o fortalecimento das ações para a promoção das exportações. Segundo Tápias, a partir de agora, haverá coordenação nas ações da Camex, da Agência Especial de Exportações (Apex), ligada ao Sebrae e sob comando da ex-ministra Dorothéa Weneck, e do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, chefiado pelo diplomata Roberto Jaguaribe. Serão somados esforços para que a meta de exportar R$ 100 bilhões até o ano de 2002 seja alcançada, disse.
Tápias disse que sugeriu o nome de Gros ao presidente Fernando Henrique, de quem recebeu aprovação, há 15 dias, mas que só conversou com Calabi sobre sua decisão na segunda-feira. Só falei com Calabi na segunda feira, mas coloquei de maneira limpa, digna e respeitosa quais as razões que me levaram a essa decisão, evidentemente ele se surpreendeu, mas eu expliquei a ele os motivos da minha decisão, contou. Ele disse ainda que sugeriu ao presidente que mantivesse Calabi no governo, em uma outra posição.
O sentimento que tenho é de muito mais empatia com o Francisco Gros, que infelizmente eu não consegui ter com o Calabi, apesar de todos os esforços, desabafou o ministro. Ele disse que a presidência do banco deve ser ocupada interinamente pelo vice-presidente, José Mauro. Gros chegou ontem de Nova York e já se desligou do banco Morgan Stanley, onde ocupava a vice-presidência. De acordo com o ministro, ainda será discutida a posse de Gros, que deverá ocorrer no meio da próxima semana.





