O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, deixa o cargo no próximo dia 31 antes de terminar um desafio pessoal e uma promessa religiosa. Católico fervoroso, em abril de 1999, cajado na mão e ao lado de sua esposa, Luzia Giachini Lopes, Tápias percorreu os 120 quilômetros do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Ao final da perigrinação, ele fez uma promessa. Grato e emocionado pelo sucesso de sua carreira executivo e pelas conquistas pessoais, Tápias prometeu que encontraria uma forma de compartilhar com a sociedade as vitórias conquistadas.
Meses depois, ele viu no convite feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso a oportunidade de pagar sua promessa, contam seus amigos. Foi isso que o estimulou a abandonar um dos maiores salários do setor privado para ganhar R$ 8 mil em Brasília, longe de sua família e dos cuidados da esposa, que, ele mesmo costumava contar, era também sua enfermeira, porque lhe telefonava todos os dias para lembrá-lo de tomar os remédios para controlar a diabetes.
Durante os 22 meses em que esteve no cargo, Tápias passou por várias disputas com a equipe econômica do governo e algumas vezes teve vontade de desistir. Mas, além da promessa feita em Santiago, também o prendia ao cargo o compromisso que, afirmava, tinha com o presidente.
Reservadamente, o ministro comentava que não precisava passar pelos desgastes que as divergências no governo lhe impunham, mas que permanecia no cargo por um dever cívico – a decisão de colaborar com o País.
Na avaliação de amigos do ministro, Tápias cumpriu a promessa feita ao final da peregrinação, mas o ministro esperava resistir até o final do mandato do presidente Fernando Henrique e conseguir emplacar reformas fundamentais. Deixou isso claro em seu discurso de posse, ao autoproclamar-se o guerrilheiro da reforma tributária. Anfavea O ministro, Alcides Tápias, será substituído pelo embaixador, Sérgio Amaral, de quem o setor automotivo espera continuidade aos acordos de exportação de veículos entre o Brasil e países como México, Chile, Venezuela e África do Sul. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o ministro Alcides Tápias mantinha um ‘‘canal aberto e permanente’’ com os representantes das montadoras. ‘‘O que esperamos é que esse canal de comunicação seja mantido’’, afirmou o diretor institucional da Anfavea, Ademar Cantero.
Ele lembrou que Tápias teve um papel importante no incentivo às exportações do setor. Durante sua gestão, os governos brasileiro e mexicano fecharam acordo bilateral para comercialização de veículos. A ampliação do acordo está em discussão atualmente, o que permitiria o aumento das exportações brasileiras de 50 mil para 120 veículos por ano.

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