O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, defendeu ontem uma alíquota de 0,01% para a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) a partir de julho de 2002 em substituição à alíquota atual de 0,38%. Segundo Tápias, esse porcentual, a ser discutido na reforma tributária enviada pelo governo ao Congresso, permitiria o rastreamento de ‘‘movimentações ilegais em contas bancárias, como as do narcotráfico e outras fraudes’’. E, complementou, ‘‘ao mesmo tempo teria impacto favorável no crescimento do País, sobretudo nas bolsas’’.
O ministro, que esteve ontem no município de Duque de Caxias, no Estado do Rio, atribuiu a saída de investimentos estrangeiros das bolsas aos custos tributários das operações financeiras, especialmente da CPMF. ‘‘A transferência de liquidez da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) para Nova York tem entre as razões o custo financeiro das operações no País’’, disse e concluiu que, ‘‘com a redução da CPMF, a tendência é de manter esses investimentos’’.
Para Tápias, a cobrança de um valor simbólico como o 0,015% sobre cada operação bancária que está propondo ‘‘não pesa no bolso e permite, da mesma forma, o rastreamento do que é ilegal’’. Tápias considera o mecanismo da CPMF importante como instrumento de fiscalização, e por isso não defende o seu fim, mas apenas que passe a ter um valor simbólico.
O ministro Tápias voltou ontem a vestir a camisa do Bradesco, onde ocupou a vice-presidência nos tempos do fundador Amador Aguiar, e fez uma defesa vigorosa da instituição. ‘‘Ao participar da Vale (Companhia Vale do Rio Doce), o Bradesco está mostrando que tem também preocupação com o desenvolvimento. Está fazendo investimentos de risco, de longo prazo, no setor produtivo e não apenas financeiro’’, afirmou. Depois, reconsiderou e disse que ‘‘o setor financeiro também é produtivo’’. E o que quis enfatizar é que ‘‘o banco também está apostando na economia real na produção’’.

mockup