Tápias cancela encontro do dia 29 com argentinos
Agência Estado
De Brasília
O descumprimento do acordo, por parte da Argentina, sobre a exportação de calçados levou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, a suspender temporariamente a reunião marcada para o dia 29, em Buenos Aires, para assinar um acordo sobre certificação de produtos.
Segundo Tápias, não será possível assinar um novo acordo, se os argentinos não cumprirem o que está combinado. Toda negociação tem dois lados, nós cumprimos a nossa parte e estamos esperando, disse. Ele afirmou que a viagem só seria realizada se não existissem entraves comerciais. Espero que o problema esteja resolvido no prazo de uma semana para que o encontro seja confirmado, disse ontem o ministro.
Embora acredite que a diferença na política cambial entre os dois países seja a grande razão pela qual as negociações entre os parceiros são mais difícies de serem conduzidas, Tápias afirmou que a variação negativa do real em relação ao dólar nos últimos dias não pode rer interferido na decisão da Argentina. A situação do câmbio lá e aqui era a mesma, portanto, essa é uma variável que já existia na negociação,e não pode ser alegada para qualquer atitude isolada do lado da Argentina, destacou o ministro.
Ele acredita, porém, que, mesmo com a diferença entre as políticas cambiais, é possível manter o comércio. A base industrial e agrícola da Argentina são importantes e a convivência entre os dois países é natural, nossa tarefa é encontrar os pontos de aproximação.
O ministro disse ainda que aceitar ou não conceder compensações para a Argentina vai depender de negociações futuras. Isso tem de ir para a mesa de negociações. Anteontem os candidatos à sucessão do presidente Carlos Menem, Fernando De la Rúa e Eduardo Duhalde, declararam que vão exigir compensações se o real continuar no caminho da desvalorização frente ao dólar, como vem acontecendo.
O acordo que seria assinado na semana que vem autorizaria os produtos a serem exportados a deixarem o país de origiem com certificados e selos de qualidade, o que torna o comércio mais rápido. O acordo, já acertado pelo secretário-geral da Câmara de Comércio Exterior (Camex), embaixador José Botafogo Gonçalves, há quinze dias, seria assinado entre o Inmetro e seu correspondente argentino.
O acordo dos calçados, acertado no último dia 29, previa que os argentinos librassem a entrada de 1,7 milhão de calçados até dezembro, mas, na quarta-feira, cerca de 37 mil pares foram retidos na fronteira.
A controvérsia em torno dos calçados começou quando a Argentina divulgou uma resolução exigindo certificação, selo de qualidade e licença prévia de importação para os calçados brasileiros. Depois de muita discussão, o Brasil, que queria uma cota de exportação de dois milhões de pares até dezembro, cedeu e foi assinado o acordo em Montevidéu. Tápias disse que o governo está esperando uma resposta do governo argentino sobre as mercadorias paradas na alfândega.





