Tanzi transferiu dinheiro para o Brasil, diz jornal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Parma - O ex-auditor interno da Parmalat Gianfranco Bocchi disse que o fundador do grupo, Calisto Tanzi, transferiu para o Brasil grandes somas de dinheiro desviadas da empresa, informou o jornal La Repubblica. Segundo Bocchi, Tanzi usou para fazer as transferências a empresa Carital do Brasil, ''onde só se realizavam operações ilegais''.
As operações eram levadas a cabo pelo próprio Tanzi e pelo então diretor financeiro da subsidiária brasileira da Parmalat, Carlos Monteiro.
De acordo com o La Repubblica, Bocchi fez essas declarações ao ser interrogado pela polícia italiana no último dia 14. Tanzi e Bocchi estão entre as 11 pessoas presas até agora na Itália por causa do escândalo provocado pela revelação de um rombo de pelo menos US$ 10 bilhões nas finanças do grupo.
Também ontem, um tribunal de Milão negou o pedido dos advogados de Tanzi para que ele fosse solto e colocado sob prisão domiciliar. A Justiça italiana incluiu nas investigações as subsidiárias italianas das empresas de auditoria Deloitte & Touche (que certificava as contas da Parmalat) e Grant Thornton (que certificava as contas da subsidiária da Parmalat nas ilhas Cayman; a empresa se separou da Grant Thornton e hoje se chama Italaudit).
Cálculos preliminares da associação de investidores italianos a grande maioria aposentados indicam que as crises econômicas e financeiras na Parmalat e Cirio e a moratória argentina provocaram perdas de pelo menos 30 bilhões de euros a cerca de 800 mil investidores. Em função disso, a Justiça de Milão recebeu, só no último mês, 25 mil processos contra a Parmalat.


