Tang deve trazer fábrica para Curitiba
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Carmem Murara 
O grupo Philip Morris - dono da empresa Kraft-Lacta-Suchard - pode anunciar nas próximas semanas a transferência da unidade de produção de refrescos da marca Tang, de São Paulo, para a Cidade Industrial de Curitiba, onde eram produzidos cigarros para exportação, até o final do ano passado. A possibilidade da instalação vai ser apresentada amanhã, em São Paulo, aos representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Fumo (Sindifumageiros), em uma reunião marcada no início da semana. Os funcionários da Philip Morris temiam que a fábrica fosse desativada devido a problemas com a exportação dos cigarros.
A transferência da Tang é uma alternativa que resolve dois problemas da Philip Morris ao mesmo tempo. Hoje, os produtos são fabricados num barracão industrial alugado, que fica dentro das instalações da Kibon - empresa que foi vendida pela Philip Morris no ano passado. O contrato de locação com a Kibon vai expirar neste mês e não será renovado, informou ontem um dos representantes da Philip Morris.
Desde que houve a demissão em massa, em outubro do ano passado, a Philip Morris cogitava a idéia de fechar a fábrica em Curitiba e transferir toda a produção de cigarros para a fábrica de Santa Cruz do Sul (RS). A empresa chegou a demitir 40% do quadro de funcionários e no final do ano deu férias coletivas aos cerca de mil trabalhadores que restaram.
A instalação da Tang no Estado depende das negociações com o governo do Estado. A Philip Morris quer se encaixar no programa de incentivos fiscais, o Paraná Mais Empregos, que permite a dilação do pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). A empresa já fez algumas reuniões com o secretário de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, para tratar do assunto, mas ainda não houve uma decisão final.
Em São Paulo, a Kraft-Lacta-Suchard emprega 400 funcionários na unidade de produção dos refrescos Tang, detendo 56% do mercado. A empresa ainda não sabe sobre o número de funcionários que poderiam trabalhar em Curitiba, mas a intenção é aproveitar o maior o maior número possível de trabalhadores. Hoje, há cerca de mil funcionários que foram contratados para produzir cigarros para exportação. Mas por causa da crise na Rússia, para onde os cigarros eram vendidos, a Philip Morris parou de produzir e deu licença remunerada para os trabalhadores até o próximo dia 9 de fevereiro. O último contrato que a empresa teve para produção de cigarros foi há duas semanas, quando deveria produzir 700 mil unidades. Mas a fabricação foi interrompida.


