São Paulo A Federação Nacional dos Aeronautas e Aeroviários iniciou negociações com a TAM para que a empresa aérea assuma as rotas, hangares e parte dos funcionários da Transbrasil, empresa que está com suas operações paralisadas desde o dia 3 de dezembro.
O presidente da entidade, Pedro Azambuja, declarou ontem ter enviado documento ao presidente Fernando Henrique Cardoso solicitando um encontro com representantes do governo federal para tentar resolver o impasse da Transbrasil. A meta do sindicalista é convencer o governo a evocar o artigo 188 do Código Brasileiro de Aeronáutica para que haja intervenção federal na empresa.
O artigo prevê que o governo pode intervir em qualquer empresa de aviação que esteja em situação econômica que não permita a normalidade dos vôos.
Segundo sindicalistas, a TAM já aceitou assumir as rotas para 21 cidades do Brasil, hangares e aeronaves, além de ter se comprometido a absorver 1.200 dos 2.200 empregados da Transbrasil. Já a dívida de R$ 910 milhões da companhia não seria repassada.
''Os sindicatos dos aeroviários e dos aeronautas não estão dando preferência à TAM. Apenas ela foi a primeira a demonstrar interesse'', declarou Azambuja.
A assessoria da TAM não confirmou nem desmentiu as negociações com os sindicalistas. A expectativa no mercado é que a TAM se posicione oficialmente hoje sobre a proposta.
A Agência Folha apurou que a estratégia da TAM e dos sindicatos é evitar que a Transbrasil repasse hangares à Gol sem o compromisso de absorver empregados.
O vice-presidente executivo da Gol, José Carlos Mello, declarou que sua companhia está interessada em parte da infra-estrutura da Transbrasil, principalmente nos aeroportos de Brasília e São Paulo. ''Estamos em fase de entendimentos'', declarou Mello.
Um acordo do tipo, no entanto, teria de ter a autorização da Infraero, já que os terrenos dos hangares pertencem à União. A Transbrasil negou que haja qualquer entendimento com a Gol para a transferência de infra-estrutura. A empresa informou ainda desconhecer qualquer projeto dos sindicatos para a que TAM assumisse as rotas para 21 cidades que vinha utilizando, além de hangares e funcionários.

mockup