Brasília - O compartilhamento de vôos (code share) das empresas Varig e TAM tem realmente problemas operacionais e precisa ser aperfeiçoado, admitiu ontem o consultor contratado para conduzir a operação, economista Luciano Coutinho. Ele descartou a possibilidade de que esse compartilhamento cause prejuízos para o consumidor ou para a concorrência.
Depois de uma reunião com representantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, o consultor disse que foram apresentadas justificativas para rebater as suspeitas de formação de cartel e descumprimento do acordo preventivo assinado com o Cade no ano passado, apontadas por um parecer da Seae.
Um relatório detalhado sobre a oferta de vôos das duas empresas desde o início do compartilhamento e a formação de tarifas será apresentado na próxima semana ao governo. ''O code share permitiu preservar o sistema aéreo em favor do consumidor brasileiro, mas concordo que atualmente ele não é perfeito e merece aperfeiçoamentos'', disse Coutinho. Segundo ele, por causa disso está sendo elaborado um projeto de criação de uma sociedade gestora entre as empresas, o que permitirá eliminar pontos considerados ''ineficientes''.
Como exemplo da ineficiência, Coutinho destacou a falta de flexibilidade no uso de cotas das duas companhias nos vôos compartilhados. Isso cria situações em que uma empresa voa com cota cheia, tem excesso de passageiros, mas não pode usar a cota da outra. Além disso, as melhorias no compartilhamento incluiriam facilitação de transferência de passageiros.
Sobre as suspeitas de formação de cartel entre Varig e TAM e aumentos abusivos das tarifas aéreas apontadas pela Seae, o economista afirmou que elas serão esclarecidas em novas reuniões técnicas que serão realizadas com os órgãos de defesa da concorrência, além da apresentação do relatório detalhado sobre os vôos compartilhados iniciados em março.
''Estamos tranquilos para afirmar que não houve retirada de vôos, o que houve foi uma reorganização da malha, principalmente na parte sul do País'', disse o economista. Quanto às tarifas, Coutinho negou que tenham havido aumentos abusivos. ''Nós tivemos uma recuperação tarifária simultânea ao code share porque houve uma guerra tarifária entre as empresas um pouco antes do compartilhamento'', declarou.

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