Pela primeira vez, o número de tablets vendidos superou o de notebooks no Brasil. Esta inversão aconteceu no último trimestre do ano passado, que coincidiu com datas como o Natal e com a realização de promoções como o Black Friday. Cerca de 3 milhões de unidades foram comercializadas neste período, 150% mais em comparação com o último trimestre de 2012. No ano, foram vendidos 8,4 milhões de unidades, o que representa um crescimento de 157% se comparado ao volume comercializado em 2012.
"Este resultado é inédito para o setor. No último trimestre de 2013 foi a primeira vez, desde que foram lançados, que os tablets superam os notebooks em volume de vendas em mais de 800 mil unidades", diz Pedro Hagge, analista de mercado da IDC Brasil. Esta convergência entre as vendas de notebooks e tablets já vem de longa data, mas só agora os caminhos se cruzaram. Para Hagge, alguns fatores contribuíram para que este momento chegasse: a inovação, a queda de preços e a maior variedade e segmentação dos produtos (dirigidos a mulheres e crianças, por exemplo).
"O tablet é um produto novo, voltado à nova geração, mais conectada e que tende à portabilidade. Mas o preço também é um dos fatores que alavancaram as vendas. Muitos usuários que não teriam condições de comprar um notebook estão tendo acesso a tablets."
Segundo Hagge, os modelos de tablets mais vendidos são aqueles com valores até R$ 500. Para ele, mesmo que o último trimestre de 2013 tenha contado com datas especiais, a tendência é que, nos próximos trimestres, a venda de tablets continue superando a de notebooks. "Não tem mais volta." No começo do ano, o volume de vendas deste tipo de produto também se eleva devido ao apelo que o tablet possui para o setor da educação, ele acrescenta.
O estudante César Augusto Vilalta queria um tablet já há um tempo, e teve a sorte de ganhar um no Natal do ano passado. Na época, o estudante ainda não tinha nem um computador. "A mobilidade e a facilidade de utilização são pontos fundamentais em minhas atividades. Além disso, um tablet tem o preço mais acessível do que um notebook." Desde então, o aparelho se tornou companheiro para trabalho, estudos e lazer. "Uso para atividades como checar e enviar e-mails, visualizar e editar documentos e apresentações, etc. Porém, em meu tempo vago, eu gosto de usá-lo como forma de lazer para, por exemplo, ouvir músicas, navegar na internet ou jogar."
O aparelho, entretanto, não substitui um notebook, e é recomendado mais para o consumo de conteúdo, destaca Pedro Hagge, da IDC. "O tablet é bem direcionado para o consumo de conteúdo, como navegar na internet, acessar as redes sociais, interagir com aplicativos. Não é recomendado para a produção de conteúdo. Claro que depende de quanto o usuário quer investir. Hoje existem tablets que permitem a produção de conteúdo, mas a média de preço é mais alta."

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