Suzuki quer produzir carro de R$ 11 mil
Cláudia Lopes
Dorico da SilvaMissão cumpridaTécnicos da indústria japonesa encerraram programação ontem com visita à uma fábrica de estofados; eles embarcaram ontem mesmo de volta ao JapãoOs empresários que participaram de uma reunião com os técnicos da Suzuki ontem de manhã, em Londrina, disseram à Folha que não tiveram nenhuma evidência de que realmente a empresa vá instalar uma montadora na cidade. Apesar dos japoneses terem mostrado fotos e projetos de peças dos carros da Suzuki, eles não deram informações concretas do possível investimento. ‘‘Mesmo assim, chegaram a nos convidar para sermos parceiros, caso a Suzuki decida instalar a montadora em Londrina’’, conta Moisés Antonio da Silva, sócio-proprietário da Castofar, uma indústria de cadeiras para escritório.
Caso o investimento seja confirmado, os parceiros terão que trabalhar com a tecnologia Suzuki, passando por treinamentos na matriz japonesa. ‘‘Durante toda a reunião, os japoneses não deram sinais de que a empresa já tenha decidido o local de instalação ou o País escolhido para sedir o projeto’’, diz Silva. Ele conta que também não foram revelados maiores detalhes sobre a produção dos bancos.
A Castofar, que funciona em Londrina há dez anos, foi visitada por uma comitiva da Suzuki em janeiro passado. Com 23 funcionários, a empresa produz cerca de cinco mil cadeiras por mês. Também participaram da rodada de negociaçães a Ortobom, de Arapongas, e a Cotton’s, de Apucarana.
‘‘A reunião com os três eventuais fornecedores foi fundamental para garantir que, caso decida-se por Londrina, a empresa terá parceiros com disposição, know how e tecnologia para participar do projeto’’, diz Kentaro Takahara, diretor do Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina.
O gerente de produção da Suzuki e chefe da comitiva, Hiroyushi Suzuki, disse ontem à Folha , em entrevista exclusiva, que a crise japonesa não terá nenhum reflexo na decisão da empresa em investir ou não fora do Japão. ‘‘Nossos carros são populares e baratos e por isso não estamos tendo problemas no Japão’’, garante. Segundo ele, o modelo mais vendido da marca naquele país - o Wagon R - custa US$ 10 mil. Cerca de 50% da produção da Suzuki é feita fora do Japão. Hiroyushi Suzuki, adiantou que, caso o investimento seja confirmado, a montadora irá produzir modelos que custem cerca de US$ 11 mil.
O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), José Cândido Miller Júnior, acredita que a decisão da Suzuki deve ser anunciada em agosto. ‘‘Um dos membros da equipe chegou a perguntar se a cidade produz verduras sem agrotóxicos por causa de um problema de saúde de seu filho’’, conta.
Segundo o prefeito Antonio Belinati, os técnicos gostaram muito da cidade e levam para o Japão um estudo detalhado da infra-estrutura de Londrina para ser avaliado pela diretoria. ‘‘Nós fizemos nossa parte. Fizemos de tudo para que a Suzuki se decida por Londrina. Agora, estamos na torcida’’. Os nove técnicos embarcaram para São Paulo no final da tarde de ontem.

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