Suzuki aprova indústrias para parcerias
Chefe da comitiva diz que empresas ‘não são grandes, mas têm produção de qualidade’; grupo opera com fornecedores locais
Cláudia Lopes
Paulo WolfgangInspeçãoCândido Miller, da Codel, em reunião ontem com integrantes da comitiva do Japão em Londrina: técnicos visitaram obras da metalúrgica Beta-Sul e conheceram fábricas da região
As negociações entre a comitiva de nove técnicos da Suzuki e a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) avançaram nas últimas 24 horas, segundo o presidente da companhia, José Cândido Miller Júnior. Alguns dos técnicos da montadora reúnem-se hoje pela manhã com representantes de três empresas de Londrina, Arapongas e Apucarana para discutir projetos para produção de bancos de automóveis.
Mas o gerente de produção da montadora, Hiroyuki Suzuki, não afirma que Londrina será a cidade escolhida para sediar a primeira indústria da empresa no Brasil. ‘‘Ainda estamos fazendo os levantamentos para apresentarmos à diretoria no Japão’’, diz ele. Suzuki adianta, porém, ter ficado impressionado com a região.
Os noves técnicos visitaram três empresas de Londrina ontem de manhã e, durante toda à tarde, estiveram reunidos com membros da Codel. Hiroyuki Suzuki ficou satisfeito com o desempenho das indústrias da cidade. ‘‘Embora não sejam grandes empresas, têm uma produção de qualidade’’, avalia. Eles estiveram na Plásticos Novel, Mapelon e Weber. ‘‘Os japoneses precisam de uma empresa na região que tenha uma máquina com capacidade de injetar plásticos com pressões entre 300 e 400 toneladas. A Novel tem um equipamento com capacidade para 800 toneladas’’, diz Kentaro Takahara, diretor do Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina.
A intenção da Suzuki é desenvolver fornecedores locais - num raio de 120 quilômetros de Londrina. ‘‘Na Hungria, fabricantes de panelas passaram a fazer peças de ferro para os veículos’’, exemplifica Hiroyuki Suzuki. ‘‘Além de fornecedoras de peças, as empresas podem contribuir na instalação da montadora, produzindo armários e bases para a colocação de transformadores entre uma linha e outra de montagem’’.
José Cândido Miller diz que, na reunião de ontem foi discutida a área de implantação da indústria, que tem duas opções de terrenos de 1,2 milhão de metros quadrados: um atrás e outro ao lado do Ceasa. ‘‘Por causa do solo menos desnivelado e de não haver fundo de vale, o terreno que fica atrás do Ceasa atende melhor as necessidades da Suzuki’’, diz.
Miller conta que levará 30 meses entre a terraplenagem e o inicío da operação da fábrica que, além do Vitara, deve produzir outros modelos da marca, se confirmar a vinda a Londrina. ‘‘A Suzuki quer fabricar veículos para atender o mercado brasileiro. Numa segunda etapa, visa os outros países do Mercosul’’, diz o presidente da Codel. Os técnicos da Suzuki não revelam o valor do investimento.
Segundo Miller, a questão do IPI do Vitara, que deixou de ser enquadrado como utilitário e teve o imposto aumentado no final do ano passado, já não preocupa mais os japoneses. ‘‘Eles entenderam que as alíquotas podem ser ajustadas novamente pelo governo federal’’, diz. Durante a reunião, a Codel entregou um estudo detalhado com informações da região com topografia do terreno, composição de solo, condições metereológicas, pesquisa salarial na região, pesquisa salarial dos metalúrgicos do ABC Paulista, transporte ferroviário, fornecimento de gás, energia elétrica e telefone, meio ambiente e mercado imobiliário. ‘‘Na missão passada, os japoneses já conheceram alguns apartamentos na cidade’’, conta Miller.
Os técnicos também visitam hoje a empresa metalmecânica Giacomini, em Londrina, e a Tornotécnica Jumbo, em Assaí. No final da tarde, embarcam para São Paulo. Miller diz que esta é a quarta visita dos japoneses da Suzuki a Londrina. ‘‘Com certeza, será a última para coletar dados’’.

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