Curitiba - Experiências bem sucedidas de empresas nacionais e multinacionais na área de sustentabilidade estão sendo mostradas durante a 3 Bienal Brasileira de Design, que acontece em Curitiba, até 31 de outubro. A proposta é incentivar os empresários de grandes, pequenas e médias empresas a adotarem práticas sustentáveis em suas unidades.
A Gerente de Sustentabilidada da Natura, Andressa de Mello, foi uma das profissionais que ministrou palestra na Bienal, semana passada, com o objetivo de sensibilizar o empresariado paranaense para pensar e agir de maneira sustentável.
A Natura é uma das gigantes da área de cosméticos e produtos de higiene e limpeza e líder no setor de venda direta no Brasil. Os números também são ''gigantes'': a empresa, sediada em São Paulo, registrou em 2009 a receita bruta de R$ 5,8 bilhões (um crescimento de 19,3% em relação a 2008) e o lucro líquido foi de R$ 683,9 milhões (32,1% maior do que no ano anterior). Como conciliar, então, com a preservação do meio ambiente um crescimento real de faturamento e incremento na produção?
Andressa explicou que o conceito de desenvolvimento sustentável está inserido em todos as estapas do processo de produção e distribuição. Ela disse que o grupo procura tecnologias inovadoras para o desenvolvimento de seus produtos. Ao público externo, a preocupação com o meio ambiente se tornou mais evidente em 1983, quando a empresa introduziu o uso de refis entre alguns de seus produtos. Segundo a gerente, 19% dos produtos vendidos hoje pela Natura são refis.
O desafio foi conseguir uma embalagem ecológica também para o refil e a empresa chegou a um material novo que entrará em uso ainda este ano e que deverá reduzir em 50% o impacto da embalagem no meio ambiente. Trata-se do pouch, bem mais fino e flexível que os plásticos grossos. Andressa conta que algumas pessoas consideraram inicialmente o pouch pouco atraente quanto a estética. ''Mas o importante é a beleza do refil ou as vantagens que ele traz para o meio ambiente?'', provoca a gerente.
Ela lembrou que hoje a Natura usa em sua cadeia de produção 10% de material reciclados (principalmente garrafas pet e papel) e o objetivo é aumentar esse índice ainda mais. A empresa também tem metas bem importantes de redução de emissões de Gás do Efeito Estufa (GEE), de consumo de água, de energia e de resíduos de produção. Exemplo é a redução, no ano de 2007, de 7% nas emissões de GEE em relação ao ano de 2006. Ano passado, a empresa também anunciou adesão ao programa Defensores do Clima do WWF-Brasil e assumiu o compromisso de reduzir em 10% as emissões absolutas dos seus processos operacionais até 2012, em relação ao ano de 2008.
Conseguir isso envolve crença e atitude. Veja algumas ações: em 1997, a frota de distribuição na cidade de São Paulo foi convertida para gás natural. Em 2005, a linha de sabonetes passou a usar óleos vegetais e não mais gordura animal. Em 2006, foi criado o Sistema Natura de Gases de Efeito Estufa, formada por colaboradores encarregados de planejar a redução de emissões.
A ecologia é incluída na discussão dos processos da indústria, assim como as questões financeiras e sociais, explica Andressa. Ela conta que a gerência de sustentabilidade participa das ações de planejamento e lembra que o trabalho de conscientização dos 6,2 mil colaboradores e de um milhão de consultores também é fundamental.

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