Como alinhar responsabilidade socioambiental com o sucesso do negócio? Para o engenheiro civil e escritor Fernando Almeida, uma das principais referências em sustentabilidade no País, a melhor resposta é ''a empresa que não fizer este alinhamento simplesmente não sobreviverá''. Segundo ele, as companhias que não tiverem solucionado parte de seus problemas econômicos, sociais e ambientais até 2050 - quando a população do planeta atingirá 9 bilhões de pessoas, conforme estimativa das Nações Unidas - dificilmente resistitirão no mercado.
Almeida abre hoje, às 9 horas, no Parque Ney Braga, o ciclo de palestras do 7º Seminário Nacional de Responsabilidade Social do Sistema Unimed, que começou ontem e segue até amanhã em Londrina (ver matéria nesta página). O tema abordado por ele será ''Responsabilidade Social Corporativa: Risco e Sobrevivência''.
Conforme o escritor - que tem mais de 30 anos de experiência profissional nos setores empresarial, governamental e acadêmico -, a relação da responsabilidade corporativa social com os funcionários, com a comunidade e também com a manutenção dos serviços ambientais para que a sociedade sobreviva é função primordial do setor empresarial. ''Obviamente, isso tudo deve contar com a participação de políticas públicas'', repara. ''O risco (de sobrevivência no mercado) existe para quem não fizer o que deve ser feito''.
Embora desconheça o percentual de empresas que já adotam posturas de responsabilidade socioambiental no Brasil, ele afirma que o número é crescente. ''Antes, os empresários viam a responsabilidade social como filantropia. Depois perceberam que a questão era parte integrante do negócio, ou seja, estratégia'', afirma. As companhias que têm ações socioambientais, segundo Almeida, definem melhor a relação com seus clientes, além de captar no mercado as melhores cabeças para o quadro de funcionários.
Outro ponto citado pelo escritor são as consequências de um possível acidente. ''Se a empresa tem uma prática de responsabilidade corporativa social e ambiental adequada, o acidente é encarado como acidente, caso contrário é visto como irresponsabilidade'', observa. ''Neste sentido, temos vários casos de empresas que quase desapareceram como a Nike, por irresponsabilidade social, mas que depois se recuperou''.
Micros e pequenos empresários
Segundo Almeida, é importante que os micros e pequenos empresários também implantem políticas socioambientais, caso contrário não poderão vender para o mercado externo ou mesmo firmarem parceria com grandes companhias nacionais. Isso, porém, requer recursos que muitas vezes são escassos para os pequenos. ''Aí entra a necessidade de uma política pública para viabilizar financiamento e estimular o setor'', pondera.
Embora algumas pesquisas coloquem o Brasil em condição privilegiada em relação à consciência da população sobre assuntos de responsabilidade social e ambiental, Almeida afirma que faltam ações concretas. ''Esperava nesta campanha presidencial, por exemplo, um movimento muito maior dos candidatos neste sentido, principalmente da Marina Silva (candidata do PV). Nem agora, no segundo turno, vejo grandes adesões dos postulantes nesta área'', critica.
Questionado sobre um exemplo de empresa no Brasil que tenha adotado uma política social e ambiental correta, Almeida cita a Mina de Juriti - Alcoa, do setor de produção de alumínio na região amazônica, que assumiu o compromisso de conquistar diariamente o direito de operar o empreendimento, garantindo o crescimento da região.


SAIBA MAIS
Por que é importante a adoção de políticas sociais e ambientais?
- Com os modelos de negócios atuais a água tende a ficar escassa e o peixe corre o risco de desaparecer até 2040.
A pobreza no mundo hoje
- Mais de 2 bilhões de seres humanos vivem com menos de 2 dólares por dia.
- Mais de 1,3 bilhão de pessoas vivem sem acesso à energia.
- Mais de 900 milhões vivem sem acesso à transporte.
- Cerca de 1,8 milhão morrem por ano por falta de água.
Fonte: Fernando Almeida

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