A pedido da Copel, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) suspendeu ontem o reajuste na tarifa que a própria companhia havia pedido na semana passada. As contas de baixa tensão, que incluem residências e estabelecimentos comerciais, seriam reajustadas em 14,42%. Já as de alta tensão, que englobam as indústrias, em 14,86%. Mas a Copel resolveu segurar o aumento, por enquanto, por pressão do governador Beto Richa (PSDB). Da mesma forma que o governo de São Paulo, que ontem suspendeu o reajuste dos pedágios, o do Paraná negou relação entre a medida e a onda de protestos no País.
A assessoria da Copel disse que, em reunião realizada ontem com Beto Richa, o governador afirmou apenas ter considerado o reajuste muito alto. Em nota ao mercado com data de ontem, a companhia declarou que pediu a suspensão do aumento "com a perspectiva de diferimento na aplicação do índice de reajuste tarifário aprovado".
De acordo com a assessoria, uma das possibilidades é que o reajuste seja dividido em parcelas. Embora não tenha sido definido prazo para a decisão, a Diretoria de Distribuição da Copel pretende apresentar uma proposta alternativa "o mais breve possível". Segundo a assessoria, existe também a possibilidade de um reajuste menor.
Na semana passada, o diretor de Distribuição da companhia, Vlademir Daleffe, havia creditado a necessidade do aumento à política do governo federal que, segundo ele, privilegiou a construção de hidrelétricas sem reservatórios, deixando o setor vulnerável às condições de estiagem e obrigando o sistema a fazer uso das usinas térmicas. A mesma crítica foi feita pelo governador em seu twitter. Outras justificativas seriam as compensações financeiras e o impacto da variação cambial do dólar sobre a energia da Usina de Itaipu.
O economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Marcelo Curado diz que a medida do governador é "prudente" e não "populista". "Qualquer governante agora terá receio de fazer reajuste de tarifa pública. A sociedade vive um momento de instabilidade muito grande e o aumento não faz sentido agora", afirmou.
No entanto, segundo ele, o reajuste será inevitável para garantir a saúde financeira da Copel. "Pelo nível de pressão da sociedade, será preciso explicar de forma mais transparente o porquê deste aumento. A sociedade está pedindo transparência", declarou.
Na opinião do consultor da Inva Capital, Raphael Cordeiro, o reajuste é questão de tempo. ''Acredito que o aumento vem, só não tinha ambiente político para isso'', afirmou.
Ontem, as ações da Copel fecharam com ligeira alta. As CPLE3 (ordinárias com direito a voto) tiveram alta de 1,94% e os papéis CPLE 6 (preferenciais), que são os mais negociados, subiram 0,72%. "Pode ser que o fato de a Copel ter se pronunciado hoje (ontem) tenha feito as ações subirem. O mercado não gosta de ficar sem notícias''. Na última sexta-feira, a CPLE3 tinha caído -18,58% e a CPLE6 teve queda de -16,66%. (Colaborou Andréa Bertoldi)

mockup