A decisão da União Européia (UE) de suspender indefinidamente a importação de carne bovina brasileira não impactará diretamente a economia paranaense porque o Estado praticamente não mantém comércio com a UE. A opinião é compartilhada pelos presidentes do Sindicato das Indústrias da Carne do Paraná (Sindicarnes) e da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Pessoa Salazar, e da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Alexandre Lopes Kireeff.
Desde 2005, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul estão proibidos de comercializar sua produção devido à confirmação de focos de febre aftosa no último estado. A expectativa é que a Organização Internacional de Epizootias (OIE) reconheça em breve o Paraná como área livre de febre aftosa com vacinação.
Segundo Salazar, indiretamente, o impacto negativo será bem maior. ''26% das exportações brasileiras são para a UE (mais de 1/4), perfazendo vendas de US$ 1,5 bilhão'', contabiliza. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), em 2007, as exportações de carne bovina do Brasil somaram US$ 4,5 bilhões, 15% a mais que no ano anterior. Na opinião do presidente do Sindicarnes e da Abrafrigo, o País terá que encontrar mercados alternativos ou desovar a carne no mercado interno. A consequência, segundo Salazar, será a depreciação dos preços da arroba do boi gordo e toda a cadeia produtiva, afetando a rentabilidade do produtor.
Já para Kireeff, mesmo internamente, a repercussão não será tão grande. ''A conta mundial de carne continuará a mesma pelos próximos dois meses até que a UE faça uma substituição de fornecedor. O déficit de produção de carne na comunidade européia permanece e esta situação se ajusta'', avalia. O presidente da SRP prevê que esta queda-de-braço entre Brasil e UE será a tônica do ano.
Na opinião de Salazar, o Brasil deve se lançar à briga, procurando os fóruns internacionais, pois seria uma decisão política o Ministério da Agricultura selecionar apenas 300 das 2,6 mil fazendas certificadas para exportar. O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinatti, considera absurda a decisão da UE de impor restrições ao número de propriedades certificadas para exportação. ''A produção brasileira tem mercado para 3 mil e não para 300 fazendas. Não caberia a nós decidir. A oportunidade deveria ser igual a todos que estejam legalmente cadastrados, conforme as exigências da UE'', defende.

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