Suspensão de crédito afeta construtoras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de setembro de 2001
Rosana Félix<BR>De Curitiba 
A decisão da Caixa Econômica Federal em suspender algumas modalidades de financiamento para a classe média adquirir a casa própria foi considerada péssima para o mercado imobiliário do Paraná. O banco é o maior financiador de imóveis no Brasil, respondendo por entre 60% e 80% dos créditos concedidos.
Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon), Erlon Rotta Ribeiro, por causa da decisão da Caixa, a cadeia da construção e vendas de imóveis vai ser bastante afetada. Segundo ele, esse setor, representa 15% do PIB brasileiro. ''A construção compra desde tijolos do pequeno empresário até elevadores de grandes empresas. Todos serão bastante afetados'', avaliou. Ele disse que é difícil mensurar em números o tamanho do mercado imobiliário no Paraná e quanto disto é financiado pela Caixa. A diretoria do banco no Paraná não estava disponível para atender a imprensa ontem.
Ribeiro fez a ressalva de que esse cenário de crise, com redução no volume de obras lançadas, só deve acontecer daqui a seis meses. ''Agora vai restar financiamento de bancos privados, que não têm vontade nem apetite para financiar crédito imobiliário'', afirmou. Segundo ele, não há muitas alternativas. ''Vão obrigar o construtor a financiar? Isso não é nossa tarefa, além do que o setor das construtoras é limitado. Se ela fizesse uma obra em 24 meses e financiasse em 56 meses, logo não haveria mais recursos para aplicar nas obras'', disse.
A suspensão da Caixa vale para as modalidades Carta de Crédito Individual, Poupança de Crédito Imobiliário (Poupanção), Imóvel na Planta e Convênio Caixa do Trabalhador dirigidas para o público de classe média.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil em Curitiba e Região Metropolitana (Sintracon), Paulo Rodrigues Lopes, a suspensão vai agravar a situação do setor e provocar demissões. ''A construção civil há cerca de sete anos está parada, e agora a situação vai ficar pior. A cada empregado no setor, há quatro ou cinco empregos indiretos, e assim todo o ramo vai sentir a diminuição das construções'', afirmou.


