Suspensão da vacina gera dúvidas entre pecuaristas
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quinta-feira, 08 de abril de 2010
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Desde que representantes do Paraná oficializaram ao Ministério de Agricultura e Abastecimento (Mapa) o pedido para que o Estado suspenda a vacinação da febre aftosa, há pouco mais de um mês, muitas dúvidas têm frequentado as propriedades dos pecuaristas. Ontem, durante o Encontro dos Conselhos de Sanidade Agropecuária do Paraná, dentro da programação da 50 Expolondrina, que tratou especificamente do assunto tão polêmico, ficou claro que o status de área livre de aftosa sem vacinação pode proporcionar ganhos de mercado, porém muito há que ser esclarecido para que a medida não seja frustrada e traga prejuízos.
Inácio Afonso Kroetz, secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, confirmou que há no meio agropecuário uma série de dúvidas - e falta de informação - sobre o assunto, mas que o órgão está aberto para qualquer tipo de esclarecimento. E avisou que não há prazo para que o ministério termine as auditorias e dê seu parecer sobre o pleito paranaense, no entanto é possível que até a segunda fase do calendário de vacinação, em novembro, o Paraná possa suspender a medida. ''Porém a vacinação da etapa de maio está mantida'', registrou Kroetz.
Ele observou que antes de se alcançar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação é necessário atender alguns critérios e reforçá-los após essa conquista. ''Mas esse caminho é natural para o Paraná, na medida em que tem se mostrado seguro na questão de sanidade animal'', afirmou. E acrescentou que o rebanho paranaense, em torno de 10 milhões de bovinos, é um patrimônio que não pode deixar de ser analisado minuciosamente quando se trata de adotar medidas extremas ao combate da febre aftosa.
Segundo o secretário, no que concerne à comercialização as possibilidades são imensas se o Estado alcançar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação. A principal é conquistar novos mercados. ''E principalmente mercados que pagam mais'', reforçou. E citou o caso dos Estados Unidos, que importam perto de 636 mil toneladas, movimentando aproximadamente US$ 2,7 bilhões, e que não compram carne bovina brasileira. ''É um mercado em potencial''. O Japão também entra na mesma categoria. O país compra cerca US$ 2,1 bi, mas tem restrições à carne brasileira. E, conforme Kroetz, são países que não compram porque a vacina representa um sistema veterinário ineficiente, que não consegue controlar a doença sem vacinação.
Algumas medidas, entretanto, deverão ser colocadas em prática pelo Paraná em relação aos ambientes externos e internos. Kroetz elenca a necessidade de fiscalização bastante firme nas barreiras com países vizinhos ao Brasil. Em alguns, como a Bolívia, há a presença de circulação viral e uma fragilidade do sistema de vigilância sanitária. Isso deverá se estendido aos estados brasileiros. A principal medida será a restrição ao ingresso de animais e produtos de outras unidades da federação.
''O controle do trânsito de animais deverá ser mais efetivo. Mas são medidas que precisam ser estudadas para não esvaziar o rebanho paranaense'', enfatizou o secretário do Mapa, lembrando que o estado vizinho, Santa Catarina, já tem o status de livre de febre aftosa sem vacinação e tem se cercado das devidas medidas. ''Deverá haver uma harmonização interna, no que diz respeito aos prejuízos e benefícios de se limitar o trânsito de animais de outros estados''.
No caso de o Paraná ganhar esse status, o não cumprimento de regras como a citada poderá levá-lo a perder essa condição e a credibilidade. ''E se o Paraná suspender a vacinação, as auditorias - realizadas pelos importadores - serão mais apuradas e exigentes'', disse Kroetz, ou seja, tem que ser firme no controle à doença.
O presidente do Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA) de Londrina, Narciso Pissinati, afirmou que o órgão vai tentar solucionar as dúvidas dos pecuaristas na medida do possível. ''É um órgão de apoio, servimos para orientar e também levantar os problemas e levar para discussão'', frisou. Pissinati adiantou que o CSA pretende formatar uma cartilha com as informações básicas sobre a possibilidade de o Paraná se tornar área livre de febre aftosa sem vacinação na tentativa de amenizar as dúvidas. E que produtores podem entrar em contato com o órgão se tiverem questionamentos.


