Suspensão ainda demora e Pratini muda discurso
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2001
Lu Aiko Otta Agência Estado 
A suspensão do embargo à importação de carne bovina brasileira por Canadá, México e EUA dificilmente ocorrerá nesta semana, informou ontem a Embaixada do Canadá. Chega na quarta-feira ao País o grupo de técnicos dos três países que vem verificar a saúde do rebanho bovino. Somente depois que eles tiverem coletado informações e elaborado um parecer técnico é que as restrições serão levantadas. É por isso que, na avaliação de técnicos da embaixada, o embargo deverá durar pelo menos até o final desta semana.
Enquanto isso, o ministro da Agricultura, Pratini de Morais, descartou a possibilidade de restrição a produtos canadenses ou retaliações comerciais contra Canadá neste momento. Pratini declarou, no entanto, que agora o Brasil é o País do toma lá, dá cá.
Segundo Pratini, as informações que o Canadá tem em mão já permitiriam que o embargo fosse levantado.As discussões agora estão sendo feitas no plano técnico e sanitário. A delegação canadense chega na quarta-feira e acreditamos que até o fim da semana este assuntos poderá estar resolvido, afirmou o ministro.
Sem compensação O chefe da área econômica do Ministério das Relações Exteriores, embaixador José Alfredo Graça Lima, informou que o Brasil não tem como pedir uma compensação pelos danos causados pela atitude do Canadá na Organização Mundial do Comércio (OMC). Não existe a possibilidade de buscar uma compensação, afirmou. Não há regra que impeça o Canadá de fazer o que fez nem que preveja alguma compensação em casos como estes. O embaixador informou que uma indenização não tem respaldo nos acordos existentes.
Na opinião de Graça Lima, ainda que houvesse a possibilidade de alguma compensação para o Brasil, poderia não ser um bom negócio. O que a OMC poderia nos conceder? Um direito de retaliação? E iríamos retaliar como? Deixando de fazer comércio? O setor privado acha graça nisso?, questionou o embaixador.
Ele acredita que, de uma maneira geral, as retaliações comerciais são um mau instrumento porque acabam por restringir as trocas comerciais, ao invés de estimulá-las. Se a OMC pudesse determinar que o Canadá dobrasse suas importações de carne brasileira, seria útil; mas esse é o tipo de decisão que cabe ao setor privado, comentou. As retaliações, segundo explicou, agem exatamente no sentido oposto ao desejável: o país ganha direito de deixar de importar bens.


