Renato Stancatto
Agência Estado
O Ministério da Agricultura suspendeu por tempo indeterminado a injeção de proteína de soja em carne in natura, prática corrente entre abatedouros de frango brasileiros. A utilização da proteína havia sido liberada aos abatedouros para dar maior maciez à carne, e deixá-la menos seca. As indústrias podiam dar uma injeção na carcaça com volume de proteína equivalente a 2% do peso do animal morto, dissolvida em água com peso equivalente a 8% do peso do animal.
Contudo, informações de que abatedouros estariam abusando da injeção para aumentar o peso do animal fizeram o governo agir. Consumidores alegaram encontrar grandes pedras de gelo ao descongelarem algumas marcas de frango no varejo.
De acordo com o secretário de Defesa Agropecuária, Luiz Carlos de Oliveira, portaria do Ministério vetando a injeção de proteína deve ser publicada dentro de pelo menos dois dias. Oliveira salientou que a injeção continuará permitida em cortes temperados de carne, com hamburgueres e salsichas.
O secretário afirmou que a empresa que for pega praticando a irregularidade será multada e terá sua produção apreendida.
A decisão de vetar a injeção de proteína de soja foi tomada ontem à tarde em reunião entre governo e representantes da indústria frigorífica, realizada no Ministério da Agricultura. Segundo Oliveira, o setor concordou com a suspensão. ‘‘Estamos criando um grupo de trabalho que vai estudar uma metodologia e parametros técnicos para as máquinas que fazem a injeção’’, disse.
Preços - O grupo, formado por técnicos do Ministério e iniciativa privada, terá 90 dias para apresentar um resultado. Oliveira disse duvidar que o fim da injeção possa redundar em aumento de preços do frango no varejo. ‘‘A prática foi constatada apenas em uma minoria de empresas que usaram o método para reduzir os custos, mas algumas empresas sequer tinham SIF’’, explicou.
Oliveira retornou de uma viagem a Buenos Aires, onde discutiu, semana passada, com parceiros argentinos, a criação de um acordo comum de fitossanidade. A expectativa inicial era de que uma proposta inicial fosse encaminhada até o dia 30.
Contudo, o projeto foi encaminhado para o Itamaraty, e para órgão de relações exteriores da Argentina. ‘‘Como este projeto vai ser um modelo para acordos futuros que possam ser estabelecidos, um cuidado especial está sendo demandado’’, disse o secretário.
Bovinos Oliveira disse que, por enquanto, o Ministério mantém o veto a entrada de bovinos vivos do Paraguai, que vinham abastecendo frigoríficos brasileiros. O embargo foi erguido depois de suspeitas de que haveria febre aftosa no vizinho do Mercosul.
Segundo Oliveira, reunião entre técnicos durante esta semana deve chegar a uma decisão definitiva em relação ao assunto.

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