Curitiba - Após 13 dias da confirmação do surto de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, 19 animais podem estar contaminados pela doença no Paraná, segundo informações divulgadas ontem pela Secretaria de Estado da Agricultura. Esses animais foram vendidos na Eurozebu - exposição realizada em Londrina entre os dias 1 a 9 de outubro. O que reforça a suspeita de contaminação é o fato de que 43 animais comercializados nessa exposição vieram da área do foco de aftosa, em Eldorado (MS). O estado está há dez anos sem registro da doença.
Segundo o secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, dos 19 animais com suspeita de aftosa, três deles foram vendidos para fazendas em Loanda, três em Amaporã, um animal em Maringá e 16 em Grandes Rios. Os animais estão apresentando os sintomas da doença de febre, salivação excessiva, além de mancarem. Os animais foram vendidos no leilão da Eurozebu, ocorrido no dia 4 de outubro.
Cauteloso, Pessuti preferiu afirmar que ele só vai confirmar o surto da aftosa no Paraná, quando tiver o resultado dos exames sorológicos que foram enviados ontem mesmo para o laboratório do Ministério da Agricultura em Recife (PE). Os resultados serão divulgados no início da próxima semana. As quatro propriedades com os animais suspeitos totalizam um rebanho de 5,1 mil animais.
No rastreamento que vem sendo feito no Paraná, a Secretaria da Agricultura localizou 40 propriedades que receberam animais do Mato Grosso do Sul nos últimos 60 dias, algumas foram através da Eurozebu e outras diretamente daquele Estado. Todas foram interditadas pela Seab desde a divulgação do foco de aftosa em Eldorado (MS).
Os animais oriundos do MS que vieram para a Eurozebu entraram no Paraná no dia 24 de setembro e foram levados a uma propriedade no município de Bela Vista do Paraíso, próximo a Londrina, de onde saíram para a exposição. A Seab constatou que as quatro propriedades, cujos animais apresentaram os sintomas, tinham comprovação de vacinação do rebanho.
Outra exposição, sob suspeita, foi realizada em Toledo entre os dias 4 e 12 de outubro. Os 635 animais participantes foram retidos e proibidos de sair do local da exposição, porque entre eles encontram-se cinco oriundos do Mato Grosso do Sul. Pessuti ressaltou que os casos suspeitos no Paraná tiveram origem em exposições ocorridas antes de 11 de outubro, quando foi confirmado o surto da febre aftosa em Eldorado (MS). Depois disso, as fronteiras foram fechadas e não ocorreram mais exposições e leilões.
O secretário disse que vai manter o sigilo das propriedades e da localização dos municípios que receberam animais do MS para não disseminar o pânico no Estado. Ao admitir que outros estados podem ter recebidos animais contaminados, Pessuti disse que só será possível identificar quando os demais estados fizerem suas rastreabilidades. Ontem mesmo, ele já comunicou o fato aos secretários dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo para que façam a investigação.

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