Curitiba - Os municípios de Loanda, Amaporã, Maringá e Grandes Rios foram interditados pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), assim que os fiscais agropecuários comunicaram as suspeitas de febre aftosa em 19 animais no Paraná. A justificativa é que esses municípios apresentam risco sanitário. A interdição se estende por um raio de cinco quilômetros em torno das propriedades que estão com os animais doentes.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Maciel, esteve ontem em Curitiba para verificar as medidas sanitárias que estão sendo adotadas no Estado. Os Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo reagiram rápido ao comunicado dos sintomas da doença no Estado e isolaram o Paraná, fechando suas fronteiras. O Estado também está isolado nas fronteiras internacionais com a Argentina e Paraguai. Já foi acionado o Gease - Grupo Especial de Atenção às Suspeitas de Enfermidade.
O diretor geral da Secretaria da Agricultura, Newton Pool Ribas, não descartou a penalização de criadores, caso se confirme a transferência de animais de uma região que já apresentava suspeita da doença para o Paraná. A Seab determinou a convocação dos criadores que promoveram a Eurozebu, em Londrina, e dos leiloeiros para apurar responsabilidades.
Conforme resolução publicada ontem pela Seab, além da interdição dos municípios, está proibida toda e qualquer realização de exposições agropecuárias, rodeios ou eventos agropecuários em todo o Estado. Segundo Ribas, essas medidas estarão em vigor até que o foco seja debelado. Caso haja confirmação do laboratório oficial do Ministério da Agricultura, a Seab vai estender a interdição para um raio de 25 quilômetros das propriedades, como recomenda o padrão de sanidade da Organização Internacional de Epizootias (OIE).
Ribas lamentou que o Paraná não tenha sido comunicado antes da suspeita do vírus da febre aftosa em Eldorado, no Mato Grosso do Sul, para que pudesse adotar medidas preventivas. ''O Paraná só foi informado do foco de aftosa no MS depois de confirmados os exames, pelo ministério da Agricultura, no dia 9 de outubro''. Ocorre que 15 dias antes, os animais na região já apresentavam indícios da doença, como as pernas claudicantes (mancando), febre alta e salivação acima do normal, disse o diretor. ''Se fôssemos avisados quando os animais apresentavam esses sintomas, não tínhamos permitido a realização da Eurozebu e da Exposição de Toledo, realizadas no início do mês'', afirmou.
Segundo Ribas, o Paraná adotou todos os procedimentos recomendados pela OIE assim que tomou ciência do foco da doença no Estado vizinho. A equipe técnica do Departamento de Fiscalização instalou um cordão sanitário intenso nas fronteiras com o MS e rastreou todas as propriedades que receberam animais daquele Estado nos últimos 60 dias, quando constatou o deslocamento de 250 animais do MS para cá. ''Só que ao adotarmos todo esse procedimento não sabíamos que o vírus já estava circulando por aqui'', lamentou.

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