Suspeita atrapalha suspensão de embargos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de novembro de 2005
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, acredita que o Brasil conseguirá suspender antes do prazo previsto o embargo feito por cerca de 50 países à comercialização da carne nacional por causa da febre aftosa. A expectativa inicial era de que o assunto fosse resolvido em seis meses, até março. Segundo ele, há uma ''chance boa'' de reverter o problema antes do fim deste período. Um dos principais entraves, hoje, ainda é a suspeita não comprovada de febre aftosa no Paraná. Animais do Estado podem ter tido contato com rebanhos de Mato Grosso do Sul, onde já foram confirmados 22 casos da doença.
Um teste já foi realizado, deu negativo e, por isso, precisa ser repetido. Ele reconheceu que a indefinição ''é um problema muito chato para o Brasil'', mas negou a suspeita de que tenha havido interesse em encobrir o problema. ''O governo do Paraná está trabalhando com muita transparência'', afirmou. Rodrigues espera que até a semana que vem a questão do Paraná esteja resolvida.
Safra - Já sobre a safra de grãos deste ano, o ministro traçou um cenário mais preocupante. Ele lembrou que a seca no Sul, o aumento dos custos de produção e a taxa de câmbio levaram o PIB da safra de grãos a ficar R$ 17 bilhões abaixo do resultado obtido no ano passado. Esse, segundo ele, é o pior resultado dos últimos quatro anos.
O presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes, voltou a estimar que, em razão da aftosa, as exportações de carne deverão ficar perto ou pouco abaixo dos US$ 3 bilhões este ano, depois de terem alcançado US$ 3,2 bilhões ano passado.
Segundo ele, parte das perdas de volume está sendo compensada pelo aumento de preços em alguns tipos de corte. Pratini também afirmou que alguns países estão se aproveitando do argumento de problema sanitário para levantar barreiras comerciais ao Brasil. Citou o caso da Indonésia, que, segundo ele, nem sequer compra carne do País e fez embargo ao produto e outros itens da pauta de exportação brasileira.
No caso da Argentina, disse que o país vizinho não tinha razão para incluir os Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo no embargo. ''É um excesso que não resolve nada'', disse. Já o ministro da Agricultura reconheceu que o embargo argentino foi uma surpresa desagradável.


