A suspeita de febre aftosa no Paraná não está trazendo prejuízos apenas para a cadeia produtiva bovina. A suinocultura e a avicultura também estão sentindo os efeitos das barreiras sanitárias impostas por outros Estados. Além de não conseguir escoar sua produção, os preços das carnes ainda caíram no atacado. O preço do suíno vivo caiu 37,5% em apenas duas semanas enquanto o preço do frango inteiro teve queda de cerca de 10%.
Para tentar minimizar as perdas, o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar) impetrou ontem mandado de segurança contra os Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. A medida quer garantir o trânsito de aves abatidas, ovos férteis e pintos de um dia para estes dois Estados, além de garantir o trânsito de cargas destinadas à exportação via portos localizados nesses locais. São Paulo e Rio Grande do Sul fecharam as barreiras há 12 dias, desde que foi divulgada a suspeita de febre aftosa no Paraná.
O presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, informou que a entidade ainda não calculou os prejuízos. ''É um dano relativo porque a comercialização está sendo retardada'', afirmou. No entanto, alguns contratos foram cancelados - porque atendiam pedidos de redes de supermercados e atacadistas - e outros tiveram que ser renegociados. ''Acredito que esses Estados terão bom senso e irão levantar essas barreiras. Pode ter havido alguma confusão porque a febre aftosa não afeta frangos'', observou.
No atacado, o preço do frango inteiro já caiu cerca de 10%. No início do mês passado, o quilo era comercializado por R$ 2,50. Agora, o preço está variando de R$ 2,20 a R$ 2,30, o quilo. Do total da produção estadual, 50% é exportada, 30% é comercializada com outros estados e o restante abastece o mercado estadual. Em setembro, o plantel do Estado era de 86.576.995 animais. A avicultura paranaense é a maior do Brasil, respondendo por cerca de 26% do total de frangos de corte produzidos no País.
SUÍNOS - A imposição das barreiras sanitárias fez despencar o preço do suíno vivo. Há duas semanas, o quilo do porco era vendido a R$ 2,40; agora, a cotação está em R$ 1,50. ''Depois da suspeita do foco de aftosa, parou a comercialização, principalmente, para São Paulo que é o nosso grande mercado consumidor'', disse José Luiz Vicente da Silva, presidente da Associação de Suinocultura do Norte do Paraná (Suinopar).
Somente a região Norte e Oeste do Estado escoavam semanalmente cerca de 5 mil animais vivos para São Paulo. Esse número representa cerca de 30% da produção dessas regiões. E, apesar da queda de preços no atacado, o varejo não sentiu essa redução. ''A febre aftosa também está servindo para especulação de preços. Os abatedouros e os frigoríficos estão fazendo estoques para o Natal a preço baixo'', comentou Silva.
Para minimizar a situação, os suinocultores pretendem ''forçar'' uma reunião com o vice-governador Orlando Pessuti, secretário estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), para exigir providências que reduzam a crise do setor. ''O volume total de prejuízos não importa. Em média, os produtores ganham entre R$ 25 e R$ 30 por animal e, agora, o prejuízo está em R$ 1 por quilo. E o Estado não faz nada para melhorar a situação do produtor'', observou.

mockup