SUSPEITA - Aftosa causa apreensão e prejuízos em Grandes Rios
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de outubro de 2005
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
De um dia para o outro, o pacato município de Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana) pareceu estar no ''olho do furacão''. Assim, de repente, a cidade entrou no noticiário nacional: o secretário de Agricultura do Estado, Orlando Pessuti, apareceu na televisão dizendo que uma fazenda de Grandes Rios era uma das suspeitas de ter foco da febre aftosa no Paraná. Foi nesse dia e naquela hora que a população ficou sabendo.
E, desde então, não se fala de outra coisa na cidade. A apreensão é geral entre pecuaristas, comerciantes e população. A economia de Grandes Rios está sustentada em três pilares: pecuária de corte, pecuária leiteira e o plantio de café. No entanto, os pequenos produtores sobrevivem das duas últimas atividades. E, certamente, serão os mais prejudicados se ficar constatada a febre aftosa na região.
Na cidade há um entreposto da Confepar (cooperativa estabelecida em Londrina que capta leite em toda a região) e dois laticínios que fabricam queijos. Devido à barreira sanitária imposta ao município pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a Confepar deixou de recolher o leite produzido em Grandes Rios. Motivo: é proibida a saída do município de qualquer carga viva e subprodutos do gado (carne, leite ou queijos).
O município, que tem capacidade para produzir cerca de 30 mil litros de leite por dia, está isolado. Foram montadas barreiras sanitárias que funcionam durante 24 horas em todos os pontos de entrocamento rodoviário que ligam a Grandes Rios. Todas as cargas que entram ou saem da cidade são fiscalizadas. Só a Confepar, desde sábado, deixou de recolher cerca de 18 mil litros de leite por dia, segundo informações de funcionários do entreposto local.
Por enquanto, os dois laticínios continuam a captação do leite. A produção de queijos não foi reduzida e todo o produto fabricado está sendo estocado. Capacidade que não deve ser mantida por muito tempo. Estimativas extra-oficiais dão conta de que os frigoríficos teriam condições de estocar seus queijos por mais dois dias. Se os resultados dos exames que confirmariam ou não a presença da aftosa na região não forem divulgados logo, também essa captação deve ser suspensa.


