O Sistema Único de Saúde (SUS) fechou o ano de 2008 com uma dívida de R$ 1,4 milhão junto ao Hospital Evangélico de Londrina referentes a atrasos no pagamento por serviços prestados pela instituição entre os meses de setembro a novembro. Os valores estão em um relatório elaborado pela própria diretoria do hospital, sem considerar o mês de dezembro, ainda em fase de fechamento.
A direção do Evangélico decidiu trazer o assunto a público por considerar que a situação se prolonga ''por tempo indeterminado'' e estaria causando sérios problemas administrativos. ''A gente tem que fazer malabarismos muito grandes para fechar as contas no final do mês, mantendo em ordem as despesas, os salários e os pagamentos de fornecedores; a dificuldade é grande para manter o atendimento de boa qualidade com tanto demora no recebimento'', afirma a gestora administrativa financeira do hospital, Artemizia Martins.
O diretor Luiz Soares Koury explica que a parte do SUS corresponde quase à metade da receita do hospital e que o peso se torna maior porque entre 60 a 70% de toda a arrecadação é gasta com a folha de pagamento dos funcionários. O procedimento normal é o repasse da verba ser feito entre 30 a 45 dias após a prestação do serviço, mas na prática não é isto que acontece. ''Nós estamos em janeiro de 2009 e ainda não recebemos por serviços prestados em setembro de 2008''. Segundo ele, as dívidas estão sendo ''roladas'' há alguns anos.
O administrador critica também a administração municipal anterior que, na prestação de contas, deu a entender que os pagamentos aos hospitais da cidade estão em dia. Para ele, tudo isso não passa de manipulação de dados. ''A conta só entra na contabilidade do município depois que eles pagam e as contas a serem pagas ficam na gaveta. Por isso, o balanço entre receita e despesa fecha o ano redondo, com saldo positivo, mas ninguém vai apurar quantas contas ficaram na gaveta e a contabilidade não reconheceu''.
Koury não aceita o argumento de que os recursos destinados ao município não são suficientes para cobrir as despesas com o Sistema Único de Saúde e acredita que houve falta de empenho da última administração junto ao governo federal. ''Nós tivemos durante oito anos, um governo do mesmo partido do presidente da República, que também está no segundo mandato. Se não foi possível que esse partido, que é o mesmo do presidente, conseguir mais verbas para Londrina, então fica difícil acreditar que esta situação vá mudar em curto prazo''.
Ele criticou também o que considera uma ''indústria de boatos'', segundo a qual o Evangélico não atende o Sistema Único de Saúde. ''Isso é uma mentira que interessa para alguns que continue sendo espalhada por ai. Se não atendessemos o SUS, como poderíamos ter R$ 1,4 milhão para receber?'', pergunta.

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