CAMPO GRANDE - Das 22 indústrias de farinha de mandioca de MS, 17 estão paradas. As 12 fecularias, produtoras de amido, trabalham com menos da metade da capacidade. Falta matéria-prima no terceiro estado produtor do País, depois de três anos de estiagem, além da queda de preços por causa da supersafra de 1994 e desestímulo para contrair financiamento.
A escassez elevou o valor do quilo da raiz no mercado estadual de R$ 30 para R$ 60 e cria uma expectativa de nova safra abundante em janeiro de 1998, quando será colhida a mandioca plantada entre julho e setembro do ano passado. A área plantada caiu de 31 mil hectares, em 1994, para 22,7 mil hectares no fim de 1995, e cresceu para 33 mil hectares (45%), em 1996.
Assim, a colheita nessa área deverá alcançar 594 mil toneladas, a partir de janeiro de 1998, ante as 250 mil que começaram a ser colhidas neste mês, de acordo com estimativas do IBGE. É uma safra ruim: além de pequena no espaço que ocupa, a seca e os tratos culturais reduzidos derrubaram a produtividade média de 160 para menos de 80 toneladas por hectare.
O fechamento de empresas acompanha o mesmo ritmo: em 1991, havia 70 farinheiras em MS e só no ano passado 25 foram extintas, conta o fabricante Moysés Neri, produtor na região de Ivinhema, que concentra 40% da produção do estado. ‘‘O sistema de parceria das farinheiras com pequenos agricultores também quebrou’’, diz Neri, que tinha 20 parceiros de 50 hectares cada um. A empresa dele não produziu farinha de mandioca em 1996 e continuará fechada neste ano. Esse produtor acredita que só na região de Ivinhema a crise tenha atingido 450 empregos diretos e 4.500 indiretos.

Preço da raiz
subiu de R$ 30,00
para R$ 60,00:
falta matéria-prima


A Incol, maior fabricante de amido de MS, com sede em Ivinhema, com capacidade para moer 380 toneladas de mandioca por dia, começou a safra que vai até agosto moendo 150 toneladas, ‘‘mas dificilmente chegará a 300’’, prevê seu gerente financeiro, Marinelson de Souza Veloso. ‘‘Para complicar, as chuvas desse verão estão dificultando o tráfego de caminhões das lavouras até as indústrias’’, diz Veloso.
Osvaldo Cardonha, secretário da Agricultura de Ivinhema e diretor da Associação dos Produtores de Mandioca do município, acrescenta que o preço da farinha também desestimula a produção este ano: ‘‘está sendo comercializada por R$ 15 a saca de 50 quilos e, para remunerar o fabricante, seria necessário vender por R$ 20’’, avalia.
Segundo Moysés Neri, as importações de farinha de trigo, colocada no mercado a preços subsidiados pelo governo, também contribuiram para derrubar o valor da farinha de mandioca, que não consegue concorrer. Osvaldo Cardonha calcula que só 20% da mandioca e seus subprodutos sejam consumidos no estado, competindo em todo o País com mandioqueiros e farinheiros do Paraná e de São Paulo, principais estados produtores.

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