Surpresa desagradável ao alugar imóvel na praia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de março de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Passar o Carnaval na praia pode transformar a folia em uma bela dor de cabeça. Foi o que aconteceu com o técnico de computador Olívio Paz de Oliveira Júnior, 25 anos, e mais seis amigos que decidiram passar o feriado em Caiobá. Eles alugaram uma casa através de anúncio por R$ 80 a diária. Durante contato telefônico com o proprietário do imóvel, Sirilio Kuss, foram informados que era uma kitnet onde caberiam todos com conforto. Porém, Oliveira Júnior descreveu: ''Foi aquela decepção quando chegamos''.
O imóvel tinha um quarto com uma beliche e uma cama de casal. O acesso só era possível por uma escada velha de madeira e em volta do imóvel uma possível sacada em construção, ainda de madeira, era utilizada como passagem. ''Ele descreveu uma coisa por telefone e o lugar não tinha segurança nenhuma, fedia mofo e não tinha ventilação'', disse Oliveira Júnior. Logo que chegaram, às 5h30 após passar a noite na estrada, tentaram contato com o proprietário e ele pediu que esperassem até as 8h30. Novos contatos foram feitos e a resposta era sempre que aguardassem mais algumas horas. Kuss não apareceu e nem devolveu os R$ 360 depositados em sua conta, R$ 40 a mais que o combinado.
Para não perder o feriado, eles alugaram um outro imóvel por R$ 100 a diária com dois quartos e muito superior ao anterior. ''Perdemos o primeiro dia correndo atrás disso'', lamentou o técnico de computador.
No ano passado, Fabiano Gustavo Álvares, 32 anos, passou pelo mesmo problema com o mesmo proprietário. Ele foi com parentes para Caiobá e ao chegar no imóvel alugado percebeu que era inabitável. Eles passaram a primeira noite em um hotel e depois alugaram outro imóvel. ''Eu e meu irmão perdemos uma semana de praia'', lembrou.
Isso porque eles não deixaram barato a situação. ''Fomos até o Juizado de Pequenas causas e Sirilio teve prisão preventiva decretada'', informou. Dois dias após terem retornado da praia, receberam telefonema do proprietário perguntando como poderia fazer para devolver o dinheiro. De lição, Álvares guardou o ensinamento: ''Nunca alugue imóvel por telefone''.
Esta afirmação é compartilhada pelo diretor do Procon em Londrina, Tito Valle. Ele sugere que as pessas sempre procurem empresas idôneas antes de alugar um imóvel à distância. Outra dica é pedir fotografias do local e não ir só pelo que o anúncio diz. Tito Valle salientou: ''Se a propaganda não corresponde à realidade e a pessoa não fica no imóvel, o proprietário tem que devolver o dinheiro''. Quando o único caminho para alugar for via telefone, o diretor sugere alguns cuidados como ligar para um imóvel vizinho ou imobiliária da cidade para conseguir mais informações sobre a casa ou apartamento a ser alugado.
Sirilo Kuss disse à Folha que aluga imóveis há mais de 10 anos e que nunca teve problemas. ''É chatice desse pessoal porque o lugar é simples'', justificou. Ele declarou que, desta vez, não iria devolver o dinheiro. ''Não posso ficar no prejuízo'', salientou. Ainda segundo ele, o imóvel tinha seis camas e não só lugar para quatro como as fotos mostradas por Oliveira Júnior apontaram. E desafiou: ''Podem ir até o imóvel, se não tiver o que eu estou falando eu devolvo o dinheiro em dobro''.


