Agência Estado
De São Paulo
Cem mil empresas ‘‘.com’’ surgem ao dia em todo o mundo. A receita dessas empresas ainda é muito baixa, mas como o custo operacional é quase zero, elas têm a possibilidade de sobreviver muito tempo. A avaliação é do vice-presidente da consultoria A.T.Kearney, Doulgas Aldrich, que está lançando no Brasil o livro ‘‘Dominando o Mercado Digital’’. A A.T.Kearney criou soluções de comércio eletrônico para mais de 50 das 500 maiores empresas norte-americanas.
‘‘Esperar para ver no que dá essa revolução digital é uma má idéia’’, declarou Aldrich. Segundo ele, já existem mais de 100 milhões de sites na web e outros 100 mil são criados a cada dia. ‘‘O que as empresas de Internet e os provedores estão fazendo é conseguir uma fatia do mercado atraindo milhões de usuários’’, disse. ‘‘Uma lei de mercado diz que o valor de uma rede cresce exponencialmente em relação ao número de usuários que ela atrai’’, afirmou.
Aldrich acredita que os provedores brasileiros de acesso gratuito à Internet estão certos em apostar no comércio eletrônico como uma fórmula para tornar o negócio viável. ‘‘Será uma surpresa se eles já não tiverem um bom faturamento em 24 meses’’, afirmou.
Segundo Aldrich, uma fórmula de sucesso para os provedores é conseguir faturamento não só com a publicidade e o comércio eletrônico mas também com conteúdos fechados. Para manter os usuários é preciso inovar sempre. ‘‘A Amazon.com fez uma coisa certa, trazendo uma novidade a cada seis semanas’’, afirmou o consultor. Maior site do mundo de comércio eletrônico, principalmente livros e CDs, a Amazon.com é um exemplo também de como uma empresa on-line pode sobreviver sem lucros. ‘‘O faturamento é muito baixo, mas o custo é zero’’, disse. ‘‘Assim pode-se durar muito tempo.’’
Para os empresários, o conselho de Aldrich é entender qual é a sua posição na cadeia produtiva e qual o valor que agrega para o consumidor final. ‘‘Para os que não entenderem isso, o risco é desaparecer’’, alertou. Outra mudança radical da revolução industrial para a digital é que o consumidor deve ser tratado como único, acabando com o conceito de mercado de massas.
Na cadeia da indústria automobilística norte-americana, por exemplo, os revendedores estão enxugando pessoal. Entre 20% e 25% das compras de automóveis já são feitas nos Estados Unidos com assistência pela Internet. As negociações só não são concluídas na rede porque a legislação norteamericana de franquia proíbe. Uma alternativa adotada pelos revendedores BMW foi oferecer três anos de assistência gratuita.
Mas o comércio eletrônico ainda não impulsionou o volume de negócios da indústria automobilística ou qualquer outra, exceto pela venda de livros e discos. ‘‘Por enquanto, está havendo apenas uma migração do comércio tradicional para a compra on line’’, diz.

mockup