Nova York Operadores norte-americanos disseram que um boato sobre a demissão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, fez crescer ontem o nervosismo em relação ao Brasil. Nenhum deles soube explicar a origem exata do boato, embora tenham dito que ele partiu do Brasil. Segundo os operadores, o boato somou-se a dois fatores que já vinham sendo apontados como causas da quebra de otimismo em relação ao País: o aumento de rentabilidade dos títulos americanos e as dificuldades do governo com as reformas.
''Complicou-se por causa dos boatos que vêm do Brasil de que Palocci vai sair e de que há brigas internas'', disse Arturo Porzecanski, economista-chefe do banco ABN Amro para emergentes. O boato, que já era discutido por analistas em Nova York no final da manhã, repercutiu também do outro lado país, na Califórnia, onde ficam alguns dos principais administradores de fundos de investimento.
''Corretores estão atribuindo parte da venda de hoje (ontem) pelos fundos de ''hedge' aos boatos em relação à renúncia de Palocci'', disse Mohamed El-Erian, gerente de mercados emergentes da Pimco. Boatos como este são comuns no mercado financeiro. Mesmo quem diz não acreditar, reconhece que eles têm efeitos negativo sobre o preço de ativos brasileiros - abrindo a possibilidade para que parte dos agentes financeiros ganhe dinheiro.
''Numa situação de nervosismo assim, sempre há pessoas que plantam boatos. Nos EUA há um regulamento muito explícito contra isso. No Brasil não há. É muito difícil depois saber de onde se originou o boato'', afirmou Paulo Vieira da Cunha, economista-chefe para a América Latina do banco HSBC.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou, no início da noite, os boatos sobre um eventual pedido de demissão do ministro da Fazenda. Por meio de seu porta-voz, André Singer, Lula disse que esses boatos partiram de ''especuladores''.

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