O prognóstico de dezembro apontou aumento de área no Brasil e Argentina e, agora, com a safra em andamento, as boas condições do clima indicam que a planta pode converter todo seu potencial de produtividade.
Entre os vários fatores baixistas estão ainda aumento de área nos Estados Unidos (na safra que começa em maio) e outros países da America Latina.
O Brasil cultiva uma área de 13,7 milhões de ha de soja nesta safra 2000/2001. Não chega a ser muito superior às anteriores, mas tem a seu favor o clima. As boas condições da lavoura autorizam uma previsão de 35,4 milhões de toneladas (33 milhões da safra 99/00)
‘‘Estamos encerrando janeiro com um clima regularíssimo, próximo do ideal, o que é suficiente para os melhores índices de produtividade’’, observou ontem o analista de mercado Flávio França Júnior, de Safras & Mercado. A empresa de consultoria divulgou ontem pela Internet seu prognóstico mensal. Sem fenômenos como El Niño ou La Niña, teremos ‘‘safra cheia’’, informou.
Para o técnico, a comercialização ‘‘será complicada’’, com pressão de oferta
durante toda a temporada.
‘‘Vejo com certa preocupação o mercado da soja em 2001; os preços podem voltar aos patamares de 99, que foi um ano ruim’’, disse França, ao ser entrevistado ontem por este jornal.
A área argentina aumentou 15% (10,1 milhões de hectares) e também é beneficiada pelo clima. A previsão é de 24 a 25 milhões de toneladas. O Paraguai, com 2,10 milhões de toneladas (1,8 milhão de t ano passado), e a Bolívia, com 1,25 milhão de t (1,15 milhão de t ano passado), também contribuem para o aumento da safra da América do Sul, que pode chegar a 64 milhões (58 milhões ano passado).
A Argentina logo se iguala ao Brasil, previu França. Ele não detectou indícios de que os Estados Unidos vão reduzir sua área, apesar da disposição de aumentar os preços de garantia do milho e do trigo. Mas o agricultor americano não sofre as consequências do excesso de ofertas porque lá o governo dá sustentação ao mercado e banca o produtor.
O analista está levando em consideração aumentos de demandas na União Européia, por conta do fenômeno do mal da vaca louca.
O Paraná, com uma área de 2,780 milhões de ha, deve colher 7,8 milhões de t, mas com boa produtividade pode chegar facilmente a uma produção de 8 milhões de toneladas. Mato Grosso deve colher 8,7 milhões.
Preços A soja dificulmente conseguirá recuperar os preços da soja de dezembro, quando ultrapassaram a marca (psicológica) de US$ 5,00/bushel. Em janeiro o preço indicado por Chicago não passou dos US$ 4,8050/bushel. Com as cotações internacionais nesse nível, os preços internos chegarma a ultrapassar R$ 21,50 em Ponta Grossa. Hoje, os preços não passam de R$ 19,50 no Oeste do Estado.
O técnico Camilo Motter, da Granoeste, de Cascavel, ainda alerta que esses preços internos estão acima da paridade internacional, sugerindo que eles ainda podem ceder mais.
As exportações de soja, no entanto, estão aquecidas, segundo os dados divulgados pela Secex. Em janeiro, as vendas externas do produto renderam US$ 12,6 milhões por dia, 208% a mais do que no mesmo mês de 2000. São produtores que adiaram as vendas, à espera de preços melhores, diz fonte do mercado.

mockup