Em 2001 algumas das maiores redes de supermercados do Brasil planejam ampliar a participação no mercado varejista de combustíveis. A possibilidade de instalação de postos de gasolina em estacionamento de supermercados preocupa os empresários do setor. O diretor de Planejamento do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Derivados de Petróleo do Paraná (Sindicombustíveis), Pedro Milan, diz que a concorrência com os supermercados é predatória para os donos de postos.
Ainda existem poucos postos funcionando nas áreas dos supermercados. Na Região Metropolitana de Curitiba apenas a loja do Carrefour, em Pinhais, vende gasolina. O mesmo acontece no Carrefour de Londrina. Embora não confirmem os projetos, redes como o Wal-Mart e Sam’s Club, e o próprio Carrefour planejam ampliar o número de postos de combustíveis nos estacionamentos de suas lojas (ver box). Só a direção do grupo Sonae, que detém as marcas Big e Mercadorama, afirma que não pretende entrar nesse mercado.
A possibilidade ou não da instalação de postos de combustíveis em supermercados depende da legislação de cada município. Em Curitiba não existe restrição, mas é necessário obedecer critérios ambientais, de segurança e de urbanismo.
Mas para Milan é possível encontrar três grandes problemas para a entrada dos supermercados no setor. O primeiro é de ordem fiscal. Os combustíveis têm um substitutivo tributário, recolhido pelas refinarias. Como cerca de 90% do faturamento dos postos é resultado da venda de combustíveis, as empresas não têm como utilizar este substitutivo na margem de preços. No caso dos supermercados, o faturamento com venda de gasolina seria apenas uma parcela do total. Com isso, eles poderiam compensar margens de lucro baixas ou negativas com as vendas de outros produtos. ‘‘Essa seria uma grande vantagem competitiva para eles’’, diz.
Outro problema identificado pelo diretor do Sindicombustíveis é de ordem trabalhista. Todos os funcionários de postos de combustíveis recebem um adicional de periculosidade de 30% sobre o piso salarial. Isso eleva os salários em mais de R$ 100,00 por funcionário. No caso dos supermercados ainda não há previsão legal sobre o adicional de periculosidade. ‘‘Não se sabe quantos receberiam e de que forma seria feito o controle disso.’’
O terceiro ponto que preocupa Milan é de segurança. No caso de Curitiba, o Código Municipal de Posturas proíbe a abertura de postos de combustíveis a menos de 500 metros de escolas, igrejas e hospitais.

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