Supermercados venderam 1,8% menos
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quarta-feira, 19 de julho de 2000
Agência Estado De Brasília 
O volume financeiro das vendas dos supermercados caiu 1,88% em termos reais no primeiro semestre do ano em comparação com igual período do ano passado. Em junho a queda, em termos reais, foi de 0,31% em relação ao mês de maio. Comparado com junho do ano passado, a queda real foi de 2,60%. Os números foram divulgados ontem pelo presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo.
Segundo Pires de Araújo, o desempenho do setor, abaixo da expectativa que a Abras tinha até o mês de abril, fez com que a entidade revisse a estimativa de crescimento para este ano. Até abril, a previsão era de que as vendas apresentassem crescimento real entre 3% e 4% em 2000.
Agora, mesmo contando com uma melhora substancial a partir de agosto, a Abras acredita que o crescimento ficará entre 2% e 3%. Talvez não dê para zerar a perda do ano passado, disse Pires de Araújo. Em 1999 as vendas do setor caíram 2,7% em termos reais.
O presidente da Abras explicou que a queda em termos reais foi afetada, basicamente, pelo alto índice de inflação medido pelo IGP-DI, usado pela associação como deflator. No período de junho de 1999 a junho deste ano o IGP-DI acumulou uma taxa de 14,1%. Sem considerar a inflação, as vendas do setor supermercadista apresentaram crescimento.
No semestre, o crescimento, em termos nominais, foi de 12,69%, sendo de 0,56% o crescimento no mês de junho com relação a maio. Comparado com junho de 1999, o desempenho de junho deste ano foi 12,15% maior em termos nominais.
Pires de Araújo também destacou a mudança de perfil do consumidor, que vem desde agosto do ano passado. Ele disse que, com o orçamento apertado, o consumidor passou a procurar e consumir produtos de marcas alternativas, mais baratas. Isso, aliado às fortes campanhas promocionais dos supermecados, centrados em produtos mais baratos, pode até ter aumentado o volume físico das vendas, mas resultou num valor financeiro menor.
O presidente da Abras disse que essa mudança de perfil é permanente e que o setor trabalha com a expectativa de crescimento das vendas pelo aumento da base de consumidores. No primeiro semestre, os consumidores tiveram um comportamento nitidamente doméstico, ou seja, se preocuparam em arrumar a casa e pagar as contas, disse. Do lado dos supermercados, Pires de Araújo explicou que o setor também se preocupou em diminuir a inadimplência, apertando as condições de acesso ao crédito ou uso do cheque pré-datado. A inadimplência hoje está por volta de 1%, mas já chegou a 4% dois anos atrás, só em relação aos pré-datados.
Para o segundo semestre, ele acredita que o setor estará sendo beneficiado pela melhora já verificada pela indústria. O comércio ainda não refletiu a melhora dos indicadores industriais, disse Pires de Araújo. Mesmo assim, ele salientou que os consumidores vão continuar criteriosos nas compras. O aumento das tarifas públicas, por exemplo, vai pesar no bolso e diminuir a renda disponível para as compras nos supermercados. De acordo com o estudo feito pela Abras o aumento das tarifas públicas vai ter um impacto de 1,2% no bolso do consumidor.


