São Paulo - O cenário de contenção de renda que se agravou no ano passado comprometeu o faturamento dos supermercados, mas não a lucratividade. Os preços nos supermercados subiram acima da inflação e permitiram uma elevação das margens líquidas de 2,12% do total de vendas em 2002 para 2,21% em 2003. Enquanto a inflação nos hipermercados e supermercados, com base no índice aberto do IPCA, foi de 20,5%, a inflação fechada dos 12 meses pelo IPCA registrou variação de 14,78%. O processo de remarcações teve início no final de 2002 e se estendeu pelo primeiro trimestre deste ano.
''O setor optou por proteger suas margens e repassar os aumentos'', afirmou Robert Macody Lund, presidente da Revista Supermercado Moderno, que divulgou ontem estudo realizado com 636 empresas e 3.846 lojas sobre o desempenho do setor. O efeito direto do aumento de preços foi a redução do consumo. Para uma inflação de 20,5%, o volume de itens comercializados caiu 5%.
O porcentual de lucro líquido obtido pelas empresas vem crescendo pelo menos nos últimos quatro anos. Depois de chegar ao nível mais baixo em 1999, com 1,30%, cresceu para 1,77% em 2000, 2,05% em 2001, 2,12% em 2002 e 2,21% em 2003, segundo levantamento da revista, baseado em informações de 266 empresas que disponibilizaram seus números. O faturamento total do setor chegou a R$ 90,7 bilhões, contra R$ 78,9 bilhões de 2002, o que significa um acréscimo real de 0,16% e nominal de 15%. O segmento dos supermercados foi o que registrou melhores resultados, em detrimento dos hipermercados.
Em razão da perda de renda, os consumidores intensificaram as visitas aos supermercados para compras menores, em lugar de fazer maior desembolso de uma só vez nas compras mensais em hipermercados, comportamento que teve início há cerca de dois anos. Os pequenos e médios estabelecimentos, que movimentaram R$ 61,1 bilhões, registraram uma elevação real de vendas de 1%, enquanto os hipermercados, com vendas de R$ 29,6 bilhões, tiveram perda de 1,5%.
A única exceção ficou com a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), que, além de apontar um crescimento real de 0,24% em seu faturamento, viu a bandeira Extra ganhar participação nos números globais, passando de 46,9% para 48%, graças, segundo Macody, a diversas estratégias de comercialização. A empresa, única com variação positiva em 2003, continua na liderança do ranking, com R$ 12,4 bilhões em vendas. O segundo colocado ainda é o Carrefour, que faturou R$ 11 bilhões no ano passado, 4,5% menos que em 2002.
Bem abaixo no ranking aparecem Bompreço, do Nordeste, que movimentou R$ 3,75 bilhões (-2,10%); Sonae, com vendas de R$ 3,73 bilhões (-2,7%); e Sendas, que faturou R$ 2,27 bilhões (-21,6%). O Wal-Mart se mantém na sexta posição, com R$ 1,94 bilhão (-0,84 %). O Carrefour foi a companhia que mais abriu lojas no ano passado, em razão da expansão da rede de hard discount Dia%. Foram inauguradas 59 unidades, sendo 6 da bandeira Carrefour e 53 do Dia%, o que proporcionou um aumento de área de vendas de 4,7%. Já a CBD, Sonae e Sendas fecharam lojas no ano passado.

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