As vendas dos supermercados no País cresceram em quantidade este ano, mas não representaram aumento de receita para os empresários do setor. De acordo com o Informativo Econômico da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) deste mês, a expectativa de fechamento este ano é de um aumento de vendas entre 5% e 6%, baseado em pesquisa do instituto AC Nielsen.
Em novembro, porém, o faturamento da rede varejista caiu 1,18% em relação a outubro, já descontada a inflação, e 3,11% em relação a novembro do ano passado.
De acordo com a economista Fátima Merlin, gerente de Economia e Pesquisa da Abras, a concorrência acirrada no setor fortaleceu a política agressiva de promoções de vendas entre supermercadistas parcelamento no cartão, descontos à vista etc. , o que acabou espremendo as margens de lucro das empresas.
''Este ano a margem líquida deve ficar abaixo de 1,5%'', prevê Fátima. No ano passado, a margem média foi de 1,8%, que já foi menor do que os 2% dos anos anteriores. A associação já considera fechar o ano com um crescimento abaixo de 1%. A projeção inicial era de 2%.
A expectativa de que as vendas de novembro dessem um fôlego para os resultados do ano não se confirmaram. ''Trabalhávamos com um empate em relação a outubro'', comenta Fátima. Mas a primeira parcela do 13º teve outro destino, possivelmente o pagamento de dívidas.
Segundo Fátima, o País ainda não vive um crescimento sustentado que se reflita na renda do consumidor. ''Os salários estão sendo disputados com pagamentos de contas, como as tarifas, que tiveram aumentos recentes'', observa a economista.
Embora já tenha se isolado dos problemas econômicos do ano, o brasileiro se mantém cauteloso em relação ao consumo, avalia a entidade. Com a renda achatada, os consumidores vão pleitear mais descontos, diz a economista.

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