Supermercados vão denunciar golpe
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sexta-feira, 24 de agosto de 2001
Rosana Félix<BR>De Curitiba 
A Associação Paranaense de Supermercados (Apras) vai comunicar às 850 empresas associadas no Estado que fixem nas gôndolas das lojas avisos sobre os produtos que tiveram seus pesos e medidas reduzidos. A medida foi anunciada ontem em reunião da Apras com a Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor do Paraná (Procon). As entidades pretendem combater a prática de ''maquiagem'' adotada pelas indústrias.
De acordo com o presidente da Apras, Pedro Joanir Zonta, na segunda-feira os consumidores já poderão ver os cartazes nos mercados, com o nome do produto que teve o peso reduzido e como era antes. Segundo ele, os supermercados estão sendo vítimas da indústria, assim como os clientes. Zonta afirmou que os lojistas já sabiam dessa prática desde o início de julho. ''A partir disso nós avisamos os órgãos competentes do governo federal, porque não é nosso papel fiscalizar a indústria'', afirmou.
Para o coordenador do Procon, Naim Akel Filho, a iniciativa da Apras é muito importante para inibir a ação da maquiagem dos produtos. ''Temos que garantir a opção de compra ao consumidor, porque senão daqui a pouco só terão rolos de papel higiênico de 30 metros, e o consumidor não vai ter como deixar de comprar'', exemplificou.
Os mercados que tiverem produtos com marca própria serão orientados pela Apras para não reduzirem o tamanho das embalagens, informou Zonta. ''Também fizemos a solicitação de que os comerciantes pressionem os fornecedores para que haja o retorno da padronização das embalagens'', relatou.
Para ele, a batalha com a indústria pode ser ganha, mas é preciso suporte do consumidor. ''O supermercado tem responsabilidade de manter o abastecimento. Há produtos que não podemos deixar de comprar por causa da mudança da embalagem'', explicou.
Zonta explicou que até 1994 o Brasil adotava padronização das embalagens, mas por causa da implantação do Mercosul a normatização foi abolida. Para ele, o governo federal, através da Secretaria de Direito Econômico (SDE), tem que ordenar a volta da padronização.


