Supermercados terão o pior ano do Real em faturamento
Agência Estado
De São Paulo
As vendas dos supermercados brasileiros devem cair 2% neste ano, em comparação a 1998, um resultado pior do que era esperado. A previsão da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) é de que o setor fature R$ 54 bilhões em 1999, ante R$ 55,5 bilhões no ano passado, em valores deflacionados pelo IGP-DI/FGV, índice que deve encerrar o ano em torno de 20%.
O faturamento nominal do setor (se não for considerada a inflação acumulada), será de R$ 65 bilhões. Desde o começo do Plano Real, este foi o pior ano para nós, afirmou o presidente da Abras, José Humberto Pires de Araújo. Em 1998, os supermercados tiveram aumento de 5,98% nas vendas, ante o ano anterior.
Segundo Araújo, até o fim do primeiro semestre, o setor projetava queda de apenas 1% nas vendas em 1999, mas tendo em vista o fraco desempenho registrado em julho, agosto e setembro, a estimativa foi reavaliada. O resultado deste ano, considerado negativo pela entidade, é atribuído à perda do poder de compra dos consumidores, que estão estão mais seletivos após a desvalorização do real.
Para este mês, as expectativas são um pouco mais favoráveis, com a previsão de 40% de aumento nas vendas em comparação a novembro e de 1% ante dezembro de 1998. Depende muito desta semana, em que há maior concentração de vendas, com o recebimento da segunda parcela do 13º salário, disse Araújo.
De acordo com ele, alguns segmentos serão mais beneficiados, em função da maior demanda por produtos nacionais, após a saída dos importados motivada pela desvalorização. Será um Natal muito bom para o setor de bebidas, afirmou.
Em relação ao ano 2000, o presidente da Abras se mostrou otimista e disse que os supermercados devem acompanhar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro que vem sendo anunciado. Esperamos crescer entre 3% e 4% em relação a 1999, declarou.
Além das projeções para o Natal e para o encerramento do ano, a Abras também divulgou os resultados de novembro. Segundo o balanço da entidade, as vendas do setor caíram 6,67% em novembro, em comparação a outubro, e 2,75%, ante o mesmo mês do ano passado. Nos 11 meses deste ano, as vendas tiveram queda de 2,86% em relação ao período equivalente em 1998.





