Rio de Janeiro - As vendas de Natal dos supermercados este ano deverão fechar 2004 com o melhor resultado dos últimos três anos. A estimativa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) é de que o movimento será 10% superior a 2003. No ano passado, o setor amargou queda de 4,5% nas vendas. Grandes indústrias, como a Sadia, que trabalham com produtos voltados à ceia da Natal, também apostam na recuperação das vendas para o fim do ano.
O presidente da Abras, João Carlos Oliveira, explica que o Natal de 2002 foi prejudicado com a escalada do dólar no segundo semestre, quando a moeda chegou perto da cotação de R$ 4,00. Também no ano passado, o período foi ''ruim'', na sua avaliação. Durante o ano de 2003, o rendimento médio do trabalhador caiu em torno de 12%, o que prejudicou a venda de produtos não-duráveis, como alimentação, vestuário, remédios.
Apesar da perspectiva de demanda elevada em paralelo com o início da recuperação da renda do trabalho, o presidente da Abras descarta que esteja havendo pressão de aumentos de preços. ''Não está havendo pressão de nenhum segmento. As negociações de Natal estão normais'', argumenta Oliveira.
Ontem, a Abras divulgou o Índice Nacional de Volume de Vendas nas lojas de supermercados. O indicador apresentou crescimento de 3,3% no bimestre maio/junho deste ano comparado ao mesmo período do ano passado. Diferente da performance média das categorias pesquisadas, no segmento de bebidas que inclui refrigerantes, cervejas, sucos e chás houve queda de 2,6% no mesmo comparativo.
O inverno forte e o fraco movimento no verão atrapalharam as vendas de bebidas. Diferentemente da média nacional, não houve avanço nas vendas nas regiões metropolitanas de São Paulo (-1,6%) e do Rio de Janeiro(-0,6%). ''Nas duas principais praças de consumo, os volumes vendidos estão abaixo do ano passado, mostrando que o crescimento das vendas ocorre fora de duas importantes regiões do País'', cita o relatório do índice de volumes, preparado pela ACNielsen.
O diretor de Marketing da Sadia, Gilberto Xandó, confirmou que as perspectivas para o movimento de fim de ano são, de fato, superiores às dos últimos anos. O crescimento das vendas poderá ficar entre 6% e 8% sobre o ano passado. Além das aves e tender de Natal, a empresa aposta no segmento de ''sobremesas especiais''.
Em faturamento, a Abras estima um crescimento real (descontada a inflação) de pelo menos 2%, que deverá ser revisto para cima nos próximos dias, com a divulgação do índice de vendas em valores, na próxima quinta-feira. Nos primeiros sete meses deste ano, o faturamento dos supermercados cresceu 1,1%. Ainda assim, o setor não acredita que poderá repor as vendas perdidas no ano passado.

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