Curitiba - A discussão sobre a necessidade de se encontrar soluções alternativas para as 80 milhões de sacolas plásticas usadas mensalmente pelos supermercados do Paraná pegou fogo semana passada. A briga contra o uso das sacolas convencionais, consideradas altamente poluentes, ganhou dois reforços importantes. O primeiro veio do setor supermercadista, com o anúncio feito pela rede Condor de que desde quinta-feira passou a usar sacolas biodegradáveis, em substituição ao produto convencional. O outro reforço partiu da Assembléia Legislativa, que realizou uma reunião com representantes dos vários setores interessados no assunto, com objetivo de sistematizar três projetos de lei que tramitam na casa sobre o assunto.
A polêmica sobre o uso das sacolas não é nova. Feitos de resinas sintéticas originadas do petróleo, esses sacos não são biodegradáveis e podem levar até 500 anos para se decomporem. No Paraná, a estimativa é que o passivo ambiental gerado pelos supermercados seja de 80 milhões de sacolas, o equivamente a 20 tonelas de plástico, que vão parar nos aterros e lixões dos municípios, causando grave problema ambiental.
Os supermercados ainda têm mais uma semana, até 24 de junho, para apresentarem ao Ministério Público do Paraná (MP) e Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) uma proposta do setor. O prazo foi estabelecido em audiência pública, realizada no MP dia 24 de maio, com a presença de 14 dos maiores supermercadistas do Estado.
Preocupados com o problema, vários países já adotaram a prática de incentivar o uso de sacolas de pano na hora das compras. O incentivo aparece no bolso. Quem não levar sua própria sacola, é obrigado a pagar pelas sacolas plásticas.
No Paraná, a solução que se apresenta com mais viabilidade é a substituição das sacolas convencionais por sacolas oxi-biodegradáveis, feitas de material que se decompõe, sem a necessidade de ser enterrado, apenas pela atuação do vento, sol, temperatura e outros agentes naturais, em no máximo 18 meses. Isso ocorre porque em sua fabricação utiliza-se um aditivo à resina plástica, criando produtos biodegradáveis que podem ser destruídos por agentes biológicos, como bactérias.
''É o que podemos adotar de forma mais imediata. Depois, teremos mais tempo para buscar outras alternativas, como convencer os consumidores e criar o hábito de usar as sacolas de pano'', diz o procurador de Justiça Saint-Clair Honorato Santos, coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente.

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