A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), entidade que congrega as principais administradoras de tíquetes do País, querem substituir a maior parte do mercado de tíquetes de papel para a compra de alimentos (vale-alimentação) até junho do ano que vem. A idéia é substituir esta moeda de compra por cartões eletrônicos, que seriam menos suscetíveis a fraudes e com menores custos.

Inicialmente, o novo sistema seria implantado nas grandes administradoras de tíquetes para, posteriormente, ser adotado gradativamente por toda rede. A substiuição também atingirá no começo apenas os tíquetes alimentação e não os usados para pagamento de refeições. O objetivo principal em acabar com os tíquetes de papel, de acordo com Daniel Gross Garcia, um dos membros do Comitê de Meios de Pagamento das Abras, é reduzir os riscos de fraudes, como a falsificação de vales, adulteração de valores, e roubo de lotes de tíquetes por quadrilhas especializadas.

Os casos de falsificações acontecem principalmente em São Paulo e Paraná. Neste caso, normalmente são quadrilhas paulistas que, foragidas, viajam para o estado vizinho. ''As falsificações são pontuais. Atingem um bairro e um tipo de tíquete. Aí normalmente as lojas param de receber aquele vale no local por algum tempo'', diz. A Abras, no entanto, não tem cálculos sobre os prejuízos dos estabelecimentos com este tipo de fraude.

Segundo o presidente da Assert, Artur Almeida, três das maiores administradoras Ticket, VR e Sodexho, responsável pelo Cheque Cardápio e RefeiCheque já estão operando com cartão. Hoje, 5 milhões de trabalhadores utilizam tíquetes, sendo 50% na forma de vale-refeição e 50% vale-alimentação. Destes últimos, 600 mil já usufruem do benefício na forma de cartão. Segundo a Abras, cerca de 8 a 10% das compras são pagas com tíquetes.

Irreversível ''É um processo irreversível'', sinaliza Almeida, lembrando que entre as vantagens está a agilidade do processo e redução de custos, já que o tíquete em papel exige gastos na operacionalização e transporte. Já o cartão seria contabilizado direto, a exemplo das operações feitas com cartões de crédito.

O presidente do Sindicato dos Supermercados do Paraná, Pedro Joanir Zonta, acredita que a mudança pode ser implementada sem prejuízos aos pequenos comerciantes, já que o cartão funcionaria no mesmo sistema dos cartões de crédito. As grandes redes, segundo ele, já possuem máquinas registradoras com leitura ótica para este tipo de cartão. ''Quem não tem este equipamento, deverá adquirir uma máquina específica de leitura de cartão de crédito'', diz.

Para os tíquetes refeição, a idéia é utilizar, mais tarde cartões recarregáveis, os chamados ''smart cards'' (cartões inteligentes), onde o trabalhador receberia um crédito mensalmente, a ser gasto em refeições.

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