Supermercados querem sindicato próprio
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sábado, 17 de fevereiro de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Os supermercados terão um sindicato próprio. A criação da nova entidade foi aprovada em assembléia pelo Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região (Sincoval) - ao qual a categoria está vinculada - realizada no final do mês passado, no apagar das luzes da atual diretoria que terá o seu mandato encerrado no próximo dia 24. Além disso, o presidente do novo sindicato é o atual vice-presidente do Sincoval, Ademar Vedoato. O desmembramento pegou de surpresa até mesmo a presidente eleita Nájila Nabhan que, embora pertença ao atual grupo, disse acreditar que este não tenha sido o melhor momento para que a desvinculação ocorresse.
Para que o sindicato dos supermercados entre efetivamente em funcionamento falta apenas uma carta sindical, emitida pelo Ministério do Trabalho. A previsão é que esse documento saia em 180 dias. No entanto, como a nova entidade já foi aprovada pelo Sincoval, as negociações para definir a nova Convenção Coletiva de Trabalho - com data-base em maio - serão dirigidas pelo novo grupo. Inicialmente, a entidade irá representar 38 municípios da região, mas a intenção é ampliar a base para 56 e, por isso, será necessária negociação com outros sindicatos patronais. O desmembramento dos supermercados do Sincoval foi aprovado por 35 votos favoráveis contra 14.
''Não estamos tirando a força do Sincoval, pelo contrário, temos certeza de que o quadro de associados irá aumentar. Até estamos com disposição para apoiar e participar da nova diretoria. Não há rivalidades, queremos manter o espírito de união e colaboração e desejamos sucesso para a nova diretoria'', salientou Vedoato. Segundo ele, atualmente os supermercadistas empregam o maior número de funcionários do comércio varejista, chegando a 3 mil pessoas somente em Londrina. ''Os supermercados são um segmento diferenciado do restante do comércio varejista, inclusive, com horário diferenciado previsto no Código de Posturas do Município. Por isso, é mais viável termos um sindicato próprio'', explicou.
O assessor jurídico do Sincoval, João Vicente Capobiango, também negou qualquer tipo de favorecimento. ''Não havia como impedirmos a criação de um novo sindicato. O desmembramento é uma tendência nacional e poderíamos aceitar uma nova entidade fundada por um grupo realmente interessado na questão ou teríamos que ceder a eventuais grupos formados por 'espertalhões''', comentou. Segundo ele, o grupo liderado por Vedoato teria também o apoio da Associação Paranaense de Supermercados (Apras) e da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio/PR).
Já o atual presidente do Sincoval, Uzier de Carvalho, acrescentou que havia um compromisso firmado com Vedoato para o desmembramento. ''Perder (a base) não é bom, mas nem sempre dá para ganhar. O setor dos supermercados é um segmento diferenciado do restante do comércio varejista'', disse. A presidente eleita Nájila Nabhan acredita que o momento de criação do novo sindicato foi ruim. ''Fui pega de surpresa, mas isso já estava programado. Durante a votação fiquei neutra porque não tinha conhecimento do assunto'', argumentou. No entanto, ela disse estar tranquila porque os supermercadistas lhe garantiram apoio e ajuda.
Desvincula - No entanto, esta não é a primeira vez que os supermercados tentam se desvincular do Sincoval. O próprio grupo liderado por Vedoato já havia solicitado a desvinculação em 2004. Na época o pedido teria sido indeferido porque não contava com o aval da Fecomércio/PR e porque não teria sido formalizado, naquela época, nenhum pedido formal para convocação de assembléia.
Além disso, um outro grupo liderado por Deolino Basseto também havia tentado fundar um sindicato também em 2004. No entanto, o Sincoval impediu a sua fundação através de ação judicial. Conforme consta no processo, ainda em tramitação na Justiça do Trabalho, a assembléia para fundação desse sindicato teria sido fraudada, conforme afirmação de dois oficiais de justiça que teriam comparecido ao local indicado em edital publicado. A partir destas afirmações, a Justiça declarou nulos todos os atos praticados por essa entidade. A reportagem não conseguiu contato com o advogado que representa os réus.


