Supermercados puxam leve alta do varejo em abril
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terça-feira, 14 de junho de 2016
Bruno Villas Bôas<br>Folhapress 
Rio de Janeiro As vendas do comércio varejista em abril tiveram aumento de 0,5% na comparação com o mês anterior, na série livre de influências sazonais (como o número de dias úteis), divulgou ontem o IBGE. O setor havia registrado uma queda de 0,9% em março. O resultado de abril, portanto, não reverte a perda passada. Em relação a abril do ano passado, a perda foi de 6,7%, a pior da série histórica iniciada em 2000. No acumulado em 12 meses, a baixa foi de 6,1%.
Na passagem de março para abril, o resultado foi influenciado pelo ramo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumos, que teve alta de 1% no mês, após recuar 1,4% em março. Segundo Isabella Nunes, gerente da coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, o comportamento da inflação não atrapalhou o resultado das vendas do ramo, que responde por 50% das vendas do varejo.
"Tivemos um cenário de preços que não influenciou. Então, as vendas acabam reagindo por causa das quedas anteriores", disse a gerente. Também contribuíram para a leve alta o ramo chamado de outros artigos de uso pessoal e doméstico (brinquedos, joias, cama, mesa e banho). O ramo tinha recuado 1,9% em março e subiu 2,8% em abril.
Apesar da alta de maio, o comércio segue afetado pelo menor consumo das famílias. Com a renda real em queda e aumento do desemprego, os consumidores apertam os gastos e evitam assumir financiamentos. Também pesa o crédito mais restrito. Os juros do cartão, por exemplo, são os mais caros desde outubro de 1995, segundo a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Tanto que de janeiro a maio deste ano, as vendas acumularam baixa de de 6,9%.
SETORES
O aumento das vendas do varejo foi concentrado em apenas três setores, o que é um sinal ruim. Além dos supermercados e outros artigos de uso pessoal, a venda de tecidos, vestuários e calçados subiu 3,7% frente ao mês anterior.
As demais cinco atividades acompanhadas pelo IBGE voltaram a registrar baixa nas vendas. É o caso de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,9%) e livros, jornais e papelaria (-3,4%).
Mesmo itens considerados mais essenciais foram mal nas vendas. Por exemplo, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, que registrou uma baixa de 2,9% na comparação ao mês anterior. O desempenho das vendas do remédio foi afetado pelo reajuste de preços autorizado pelo governo, que passou a vigorar no fim de março. Os remédios foram autorizados a serem reajustados em até 12,50%, acima da inflação.
Os ramos que dependem de crédito também sofrem. Sem confiança para assumir financiamentos, consumidores compraram menos móveis e eletrodomésticos, que teve queda de 1,8% na vendas em abril.


